Cross River, banco de BaaS dos EUA, põe a stablecoin RLUSD da Ripple no core bancário e dá às fintechs dólar, ACH e cripto numa API só
Clientes do banco que serve de infraestrutura para Coinbase e Circle passam a liquidar pagamentos 24 horas por dia no XRP Ledger, em 3 a 5 segundos, sem montar estrutura própria de blockchain

Brad Garlinghouse, CEO da Ripple. Foto: Steve Jurvetson/Flickr, CC BY 2.0
A Cross River, banco americano que funciona como infraestrutura de banking as a service (BaaS) para fintechs, anunciou nesta quinta-feira (15) uma parceria com a Ripple para integrar a RLUSD, stablecoin lastreada em dólar emitida pela Ripple, ao seu Core Operating System (COS), o sistema bancário próprio do banco. As transações rodam no XRP Ledger (XRPL), blockchain pública.
Com a integração, as fintechs clientes passam a acessar, por uma única conexão de API, transferências ACH, wires, pagamentos instantâneos e pagamentos em RLUSD, sem precisar montar estrutura própria de blockchain. Elas podem trocar dólares por RLUSD e liquidar pagamentos internacionais e movimentações de tesouraria 24 horas por dia, sete dias por semana. Segundo as empresas, o serviço já está no ar, mas por enquanto só em alguns estados americanos.
A RLUSD vira mais uma opção de liquidação dentro da plataforma, ao lado dos meios tradicionais. Para redes de pagamento, a Cross River diz que emissores e credenciadores ganham flexibilidade para liquidar ao longo do dia e reduzir o tempo de liquidação. No XRPL, as transações liquidam em 3 a 5 segundos, por uma fração de centavo, e a rede já liquidou mais de US$ 1,3 trilhão desde a criação, de acordo com o comunicado.
“Ao integrar a RLUSD à infraestrutura de stablecoins que a Cross River já tem, ampliamos capacidades que estavam em desenvolvimento”, afirmou Adam Goller, head de Fintech Banking da Cross River. Para Markus Infanger, vice-presidente sênior da RippleX, a área de desenvolvedores da Ripple, as stablecoins não vão transformar os pagamentos por sistemas paralelos, e sim “ao se tornarem parte da infraestrutura bancária que as empresas já usam”.
“As empresas não deveriam depender de vários fornecedores diferentes para movimentar dinheiro pelo mundo. Nossa parceria com a Ripple elimina essa complexidade e torna os pagamentos mais simples”
Adam Goller, head de Fintech Banking da Cross River, em comunicado
Com sede em Fort Lee, em Nova Jersey, a Cross River ficou conhecida por atender empresas de cripto que outros bancos recusavam. Pelo modelo de BaaS, empresas como Coinbase e Circle se conectam por ela às redes de depósitos, saques e transferências. Em março, a controladora CRB Group captou US$ 50 milhões; na ocasião, o fundador e CEO, Gilles Gade, disse que o dinheiro apoiaria a estratégia de reunir cripto, crédito, pagamentos e cartões numa só plataforma.
Para a Ripple, comandada pelo CEO Brad Garlinghouse, o acordo abre um canal de distribuição da RLUSD dentro de um banco regulado. Ele vem depois da parceria com a DriveWealth, que usa a RLUSD em liquidação e custódia de investimentos, e da parceria com a Privy, empresa de carteiras da Stripe, que leva infraestrutura de carteiras programáveis ao XRPL, segundo o The Paypers.
Por que importa. Quem dá a uma fintech dólar, cripto e transferências numa API só vira o fornecedor que ela não troca, e cobra por cada movimentação. No Brasil, onde o Pix e as stablecoins já andam juntos nas remessas, a infraestrutura que juntar conta, Pix e stablecoin numa integração só tem espaço para crescer.
Fonte: The Paypers. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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