Criptoativos na Receita Federal: USDT soma R$ 199,5 bilhões no 1º semestre de 2026 e stablecoins ficam com 9 de cada 10 reais das principais criptomoedas
Dados abertos da Receita mostram R$ 283 bilhões em operações declaradas de janeiro a junho de 2026, alta de 21% em um ano; USDC quadruplica e bitcoin cai quase pela metade

Claudio Just, CEO da Transfero, emissora da stablecoin BRZ. Foto: Divulgação/Transfero
As operações com criptoativos declaradas à Receita Federal somaram R$ 283,1 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 21,3% sobre os R$ 233,3 bilhões do mesmo período de 2025, segundo a planilha de dados abertos de criptoativos da Receita, atualizada em agosto. Maio, com R$ 58,1 bilhões, foi o maior mês da série, que começa em agosto de 2019, e junho veio logo atrás, com R$ 57,5 bilhões.
O número é formado pelas declarações mensais exigidas pela Instrução Normativa 1.888: as exchanges brasileiras informam todas as operações, e pessoas físicas e empresas declaram as feitas em exchanges no exterior ou sem exchange quando passam de R$ 30 mil no mês. As exchanges no Brasil responderam por R$ 177,6 bilhões (62,8% do total). As operações feitas sem exchange, entre as próprias pessoas e empresas, foram as que mais cresceram: passaram de R$ 43,7 bilhões para R$ 65,7 bilhões, alta de 50,4%. As feitas em exchanges no exterior somaram R$ 39,7 bilhões.
No relatório que separa as compras e vendas por criptoativo, o dólar digital domina. O USDT, stablecoin emitida pela Tether, movimentou R$ 199,5 bilhões no semestre, 76,5% do valor das principais criptomoedas listadas e 28% a mais do que um ano antes. O USDC, da Circle, foi de R$ 9,2 bilhões para R$ 38,3 bilhões, mais que o quádruplo, e ficou com 14,7%. Juntas, as duas stablecoins atreladas ao dólar responderam por R$ 237,8 bilhões, cerca de 91% do total.
O bitcoin, registrado como BTC, caiu de R$ 24,4 bilhões para R$ 13,2 bilhões (5,1% do valor), e o ether, de R$ 7,4 bilhões para R$ 3,5 bilhões. O BRZ, stablecoin atrelada ao real emitida pela Transfero, ficou estável, com R$ 2,1 bilhões. A Receita alerta que o nome da moeda é preenchido livremente pelo declarante e que as grafias são agrupadas por ela, por isso a divisão por criptoativo é aproximada.
“USDT e USDC somaram R$ 237,8 bilhões, 91% do valor das principais criptomoedas declaradas no semestre”
Cálculo do Mundo das Fintechs com dados da Receita Federal
Em maio de 2026, 4,73 milhões de CPFs e 116,4 mil CNPJs declararam operações, contra 5,27 milhões de CPFs e 110,7 mil CNPJs em maio de 2025. Ou seja, menos pessoas físicas declararam operações, enquanto o número de empresas cresceu. Em junho de 2026, as mulheres responderam por 31% do número de operações, mas por 15,7% do valor.
Por que importa. Nove em cada dez reais que passam pelas principais criptomoedas no Brasil já estão em dólar digital, e as operações feitas fora das exchanges cresceram 50,4% em um ano. Isso abre espaço para fintechs que transformam stablecoin em serviço financeiro comum: pagamento a fornecedor no exterior, conta em dólar para empresa e liquidação de câmbio mais barata, cobrando spread e tarifa sobre um volume que já é de R$ 33 bilhões por mês, em média, só em USDT, desde que com a licença de prestadora de ativos virtuais do Banco Central.
Fonte: Receita Federal. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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