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Inter passa a vender fundos irlandeses no exterior e mira base de 6,4 milhões de contas globais

Corretora do banco nos EUA distribui fundos UCITS de BlackRock, Vanguard e Invesco a clientes de 16 nacionalidades; operação internacional cresceu 37% em 12 meses, mas só 1,1 milhão de clientes investem.

Por Redação Mundo das Fintechs · 08/10/2026 · 3 min de leitura
Inter passa a vender fundos irlandeses no exterior e mira base de 6,4 milhões de contas globais

Fachada com o logo do Inter. Foto: Divulgação/Inter

O Inter passou a distribuir fundos de índice domiciliados na Irlanda, os chamados UCITS, para clientes que não moram nos Estados Unidos, segundo reportagem da Bloomberg Línea publicada nesta quinta-feira (8). Os produtos são geridos por casas globais como BlackRock, Vanguard e Invesco e distribuídos pela Inter Securities, a corretora do grupo nos EUA.

A operação internacional do banco reunia, em 30 de julho, 6,4 milhões de contas cadastradas: 6 milhões de brasileiros e cerca de 400 mil residentes nos Estados Unidos. O número cresceu 37% em 12 meses, e cerca de 80% dessas contas movimentam dinheiro, segundo Cassio Segura, responsável pelo hub internacional do Inter no país. Investidores, porém, são 1,1 milhão.

É essa distância entre cadastro e aplicação que orienta a estratégia. A maior parte dos brasileiros da base usa a conta em dólar para viajar, e o banco tenta transformá-los em aplicadores. Os fundos UCITS interessam ao investidor estrangeiro porque não estão sujeitos ao imposto de sucessão que os EUA cobram sobre patrimônios acima de US$ 60 mil em ativos listados no país e sofrem retenção menor sobre dividendos.

Segundo Felipe Marcilio, head de Investimentos Globais do Inter, cinco dos dez ativos mais comprados na plataforma são ETFs. Ele não apontou vantagem técnica sobre o BTG Pactual, que distribui fundos irlandeses desde o início do ano, e citou como diferencial a amplitude do aplicativo: cartão internacional, conta nos EUA, crédito imobiliário, gift cards e programa de pontos.

“Queremos ter o nosso app disponível globalmente”

Cassio Segura, responsável pelo hub internacional do Inter nos EUA, à Bloomberg Línea

A estrutura nos EUA atende clientes de 16 nacionalidades, com aporte inicial de US$ 5. Segundo Segura, 80% das transferências internacionais são liquidadas em menos de uma hora, e 65% em menos de um minuto. O Inter chegou aos EUA em agosto de 2021, com a compra da fintech de remessas Usend, e em 8 de setembro anunciou operação na Argentina com o Grupo BIND. O Nubank estreou nos EUA neste mês, com o Lead Bank, ainda sem oferta de investimento internacional.

Por que importa. Um banco digital nascido em Belo Horizonte já tem 6,4 milhões de contas fora do Brasil, que cresceram 37% em 12 meses, e agora quer transformar quem só viaja em investidor. Para quem tem ou quer ter fintech, mostra que conta global, câmbio e investimento no exterior viraram um mercado de milhões de clientes, e que ainda sobra espaço: só cerca de 1 em cada 6 contas investe.

Fonte: Bloomberg Línea. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.

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