Nubank lidera disputa pelo Brubank, banco digital argentino de 5 milhões de usuários; Inter e BTG também são citados
Segundo o iProUP, os três bancos brasileiros querem a licença bancária do Brubank para driblar limites do BCRA às fintechs; Inter nega negociação e Vélez disse em setembro que o plano era construir do zero

David Vélez, fundador e CEO do Nubank. Foto: Sam Barnes/Web Summit Rio (CC BY 2.0)
O Nubank aparece à frente de uma disputa entre três bancos brasileiros pela compra do Brubank, banco digital argentino com cerca de 5 milhões de usuários, segundo reportagem do site argentino iProUP publicada na quinta-feira (22). Inter e BTG Pactual também são citados. Não há acordo anunciado, e as empresas não confirmaram a negociação.
O interesse está na licença. O Brubank recebeu autorização do Banco Central da República Argentina (BCRA) em 2018 e opera desde 2019. Fintechs que atuam no país como provedoras de serviços de pagamento não podem oferecer conta-salário, conta digital em dólar nem intermediação financeira, segundo o iProUP. Comprar um banco pronto contorna essas barreiras.
O Brubank foi fundado por Juan Bruchou, ex-presidente do Citi na Argentina, com Diego Pando e Pablo Sánchez. Bruchou, CEO do banco, seria o sócio mais resistente à venda, de acordo com o iProUP. Uma outra matéria do mesmo site, também de quinta, fala em mais de 4 milhões de usuários.
O Nubank, fundado por David Vélez e avaliado em cerca de US$ 72 bilhões, tem 140 milhões de clientes no Brasil, no México e na Colômbia. Em janeiro, a empresa anunciou um centro de tecnologia em Buenos Aires, com investimento de cerca de US$ 474 milhões em cinco anos, segundo o iProUP. Em 10 de setembro, Vélez disse à Infobae que não havia negociação para comprar uma instituição argentina e que o foco era construir a operação do zero porque é a forma de controlar melhor a experiência, ainda que seja um pouco mais lento. Segundo a Infobae, uma negociação anterior do Nubank com o Brubank não avançou.
“Construir do zero é a forma de controlar melhor a experiência, ainda que seja um pouco mais lento; no longo prazo, nos leva mais longe.”
David Vélez, fundador e CEO do Nubank, à Infobae em 10 de setembro
O Inter, apontado por fontes do iProUP como o principal candidato, disse ao site que não participa de negociações. O banco já atua na Argentina desde setembro, com investimento em ações americanas a partir de US$ 5, em parceria com o Grupo BIND, e afirmou na época que não planejava pedir licença bancária no curto prazo. O BTG Pactual, que no país é registrado como agente de mercado na CNV e comprou o HSBC do Uruguai por US$ 175 milhões, estudaria trocar sua licença por uma de banco, segundo consultores ouvidos pelo iProUP.
Não é a primeira conversa de aquisição do Nubank fora do Brasil neste ano. Em setembro, a Bloomberg, citando a Sky News, noticiou negociações com o britânico Monzo; em 30 de setembro, o Nubank informou ao mercado que não buscava a transação.
Por que importa. Na Argentina, a licença bancária vale mais que a tecnologia: sem ela, fintech não oferece conta-salário nem conta em dólar, os dois produtos que prendem o cliente. Para quem monta fintech, o recado é que uma licença regulada, ou a parceria com quem já tem uma, é um ativo que os gigantes pagam caro para comprar.
Fonte: iProUP, Infobae, Bloomberg e PYMNTS. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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