C6 Bank lidera com US$ 5 bilhões os 8 unicórnios fintech de capital fechado do Brasil, que somam US$ 18,5 bilhões
Ranking da Multiples de setembro põe Creditas, Mercado Bitcoin, CloudWalk, QI Tech, Dock, Neon e iCred na lista; contas que falam em 11 unicórnios e US$ 22,9 bilhões contam a mesma empresa duas vezes e incluem uma mexicana

Arte: Mundo das Fintechs com dados da Multiples (setembro de 2026)
O Brasil tem oito fintechs de capital fechado avaliadas em mais de US$ 1 bilhão, que somam US$ 18,5 bilhões, segundo o ranking “The Unicorns of Latin America”, da plataforma de dados Multiples, atualizado em 25 de setembro de 2026. O C6 Bank lidera, com US$ 5 bilhões, seguido pela Creditas (US$ 3,3 bilhões).
Na sequência aparecem o Mercado Bitcoin, da holding 2TM (US$ 2,1 bilhões), a CloudWalk, dona da InfinitePay (US$ 2,1 bilhões), a QI Tech (US$ 2 bilhões), a Dock (US$ 1,5 bilhão), a Neon (US$ 1,4 bilhão) e a iCred (US$ 1,1 bilhão). Ficam fora da conta as fintechs que já estão na bolsa, como Nubank, Inter, PagBank, Stone e PicPay.
Uma lista que circula nas redes fala em 11 unicórnios fintech brasileiros e US$ 22,9 bilhões. A diferença vem de três pontos: ela conta Mercado Bitcoin e 2TM como duas empresas, embora a 2TM seja a holding dona da corretora e o valor seja um só; dá à Neon US$ 1,6 bilhão, quando a Multiples e a rodada de 2022 com o BBVA indicam US$ 1,4 bilhão (R$ 1,6 bilhão foi o tamanho do aporte); e inclui a Clara, de cartões corporativos, que é mexicana, embora opere no Brasil. A lista também traz o EBANX, de Curitiba, que virou unicórnio em 2019 com aporte da Advent, mas não aparece no ranking de setembro da Multiples.
A maior parte desses valores vem de rodadas antigas. O C6 foi avaliado em cerca de US$ 5 bilhões quando o JPMorgan comprou 40% do banco, em 2021. A CloudWalk chegou a US$ 2,15 bilhões numa Série C de US$ 150 milhões liderada pela Coatue, em novembro de 2021. A 2TM virou unicórnio em julho de 2021, com US$ 200 milhões do SoftBank, e a Dock, em maio de 2022, com US$ 110 milhões de Lightrock e Silver Lake Waterman. A Neon recebeu US$ 300 milhões do BBVA em fevereiro de 2022.
“Mercado Bitcoin e 2TM são a mesma empresa: a 2TM é a holding dona da corretora, e o valuation de US$ 2,1 bilhões é um só, da rodada de 2021 com o SoftBank.”
Apuração Mundo das Fintechs a partir do ranking da Multiples e dos comunicados das rodadas
Os números mais recentes são os da Creditas e da QI Tech. A Creditas fechou em dezembro de 2025 uma Série G de US$ 108 milhões liderada pelo Andbank, a US$ 3,3 bilhões, abaixo dos US$ 4,8 bilhões de 2022. A QI Tech, de infraestrutura de crédito e BaaS, passou de US$ 1 bilhão em 2024 e recebeu mais US$ 63 milhões da General Atlantic em julho de 2025. Para a iCred, de consignado e antecipação do FGTS, não há rodada de ações com valor divulgado: o US$ 1,1 bilhão é estimativa da Multiples, a 11,2 vezes a receita de US$ 94 milhões.
Na lista da América Latina, a Multiples conta mais de 50 empresas de tecnologia avaliadas acima de US$ 1 bilhão, a maioria de fintech e pagamentos, e diz que 68% dos unicórnios da região nasceram no Brasil.
Por que importa. Três dos oito unicórnios (QI Tech, Dock e CloudWalk) vendem infraestrutura ou maquininha para outros negócios, não conta para pessoa física. O dinheiro grande no Brasil está em quem dá a ferramenta para outras empresas oferecerem crédito, cartão e pagamento, e esse espaço ainda tem muito nicho para fintech nova.
Fonte: Multiples, Pipeline Valor, Brazil Journal, NeoFeed, Valor e InfoMoney. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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