App do banco vira porta de entrada de 83% dos investidores em cripto, e Itaú, Nubank e Santander disputam espaço com as exchanges
Itaú oferece 15 criptoativos, Nubank 28 e Santander 10; o Mercado Bitcoin tem mais de 330. Exchanges têm até 30 de outubro para pedir autorização ao Banco Central.

Nildson Alves, CEO da Onda Finance (Foto: Divulgação/Onda Finance)
Os grandes bancos brasileiros ampliaram a oferta de criptomoedas e passaram a competir diretamente com as exchanges especializadas, mostrou o E-Investidor, do Estadão, nesta quinta-feira (8). Segundo a 2ª Pesquisa Nacional de Criptomoedas de 2026, da Paradigma Education com o Datafolha, o aplicativo do banco foi a principal porta de entrada para cripto, citado por 83% dos investidores. Carteira própria apareceu com 26%, e compra direta em exchange, com 20%. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios, em maio.
Para Nildson Alves, CEO da Onda Finance, fintech de infraestrutura financeira, o resultado era esperado: o cliente já conhece o banco, paga contas e recebe o salário ali. Israel Buzaym, country manager da KAST no Brasil, avalia que os bancos passaram a oferecer esses ativos para manter os recursos dentro de seus próprios ecossistemas. No levantamento, 17,2% dos entrevistados já investiram ou investem em cripto, acima dos 15,1% que dizem o mesmo sobre CDBs e Tesouro Direto.
O Itaú oferece 15 criptoativos e não trabalha com memecoins, segundo Guto Antunes, superintendente de ativos digitais do banco. O Nubank tem 28, com curadoria que inclui a solidez das reservas das stablecoins. A Santander Corretora, antiga Toro, oferece 10, disse Vito Castanha, head de digital assets do Santander. O Banco do Brasil, que antes só dava acesso por fundos e ETFs, passou em 2026 a negociar bitcoin e ethereum diretamente.
Do lado das exchanges, o prazo para pedir ao Banco Central autorização como prestadoras de serviços de ativos virtuais (PSAVs) vai até 30 de outubro. Digitra.com, Coinext e Bitnuvem anunciaram o encerramento das operações no Brasil citando custos da nova regra. Fabrício Tota, vice-presidente de negócios cripto do Mercado Bitcoin, que oferece mais de 330 ativos, vê os bancos como porta de entrada: “quem prova e gosta tende a procurar saber mais sobre cripto em casas especializadas no tema”.
“É muito mais fácil comprar bitcoin no aplicativo que você já abre todos os dias do que baixar outro aplicativo”
Nildson Alves, CEO da Onda Finance, ao Estadão
Por que importa. Quando 83% compram cripto pelo app que já usam, quem controla a conta do cliente leva o investimento junto. Para uma fintech com base própria, plugar cripto via parceiro de infraestrutura virou uma forma rápida de aumentar receita por cliente.
Fonte: Estadão (E-Investidor). Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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