Goldman põe Nubank ao lado do Itaú como aposta para um crédito pior, com inadimplência em 4,6%
Prévia do banco para os balanços do terceiro trimestre aponta provisões pesadas e coloca o Banco do Brasil no centro da preocupação

Arte Mundo das Fintechs
O Goldman Sachs espera que a temporada de balanços dos bancos brasileiros do terceiro trimestre mostre o agravamento do ciclo de crédito, com inadimplência em alta, provisões pesadas e lucros mais fracos. Na prévia, relatada pelo BPMoney nesta sexta-feira (9), o banco de investimento mantém o Itaú como aposta preferida e coloca o Nubank entre as escolhas para atravessar o período.
Segundo o Goldman, a inadimplência acima de 90 dias no sistema financeiro saiu de 3% em dezembro de 2024 para 4,6% em junho de 2026. Cerca de 60% desse avanço vem de piora real na qualidade do crédito, e os outros 40% resultam das mudanças trazidas pela Resolução 4.966.
Os bancos públicos, liderados por Banco do Brasil e Caixa, concentram perto de 53% do aumento no volume de calotes do setor entre o segundo trimestre de 2025 e o de 2026. No BB, a inadimplência subiu 160 pontos-base em doze meses, para 5,6%. O Goldman estima que o banco destine R$ 20,3 bilhões a provisões no trimestre, 10% a mais que no anterior, com lucro recorrente de R$ 3,7 bilhões e ROE de 8%. A recomendação segue de venda, com preço-alvo de R$ 19,50.
O Itaú deve ter lucro recorrente de R$ 12,4 bilhões, praticamente estável, com ROE de 23,3%. O Goldman mantém compra e preço-alvo de R$ 54. Para o Bradesco, projeta lucro de R$ 6,9 bilhões e ROE de 15,5%, com recomendação neutra. O Santander Brasil deve somar R$ 3,2 bilhões, alta de 7% no trimestre.
“Itaú e Nubank são as escolhas do Goldman Sachs para enfrentar um ciclo de crédito mais adverso”
Resumo da prévia do Goldman Sachs, segundo o BPMoney
O Nubank aparece ao lado do Itaú mesmo com mais peso em crédito sem garantia e em clientes de menor renda. Os analistas citam a liderança em rentabilidade, o capital confortável e a relação entre empréstimos e depósitos perto de 90%, contra 120% a 145% nos grandes bancos tradicionais, o que dá espaço para crescer a carteira sem pesar tanto no balanço.
Segundo o Goldman, o Comitê de Estabilidade Financeira do Banco Central discute medidas macroprudenciais para conter riscos no crédito às famílias, com atenção a cartões e empréstimos pessoais sem garantia. A próxima reunião do comitê é em novembro.
Por que importa. Inadimplência subindo não espanta quem tem dado bom, e o Goldman aposta justamente no banco digital que empresta para a baixa renda. Para uma fintech de crédito, a receita está em escolher bem o nicho, medir o risco melhor que o banco grande e financiar a carteira com depósito ou FIDC.
Fonte: BPMoney. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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