Hurst lança certificado de recebíveis de R$ 5 milhões ligado à Revolut, avaliada em US$ 115 bilhões
Securitizadora brasileira repete com a fintech britânica a estrutura pré-IPO que já usou com SpaceX, Kalshi e OpenAI; aporte mínimo é de R$ 5 mil

A Hurst Capital colocou em sua plataforma uma oferta de Certificados de Recebíveis (CRs) que dá ao investidor brasileiro exposição indireta à Revolut, fintech fundada no Reino Unido e avaliada em US$ 115 bilhões numa transação privada, informou o Valor Econômico nesta terça-feira (20). A captação é de R$ 5 milhões.
O CR investe em uma participação ligada às ações da Revolut na fase pré-IPO, antes da oferta pública inicial. Segundo a página da oferta, a emissão 242 tem aporte mínimo de R$ 5 mil, prazo de 24 meses, rentabilidade estimada de variação do dólar mais 12% a 20% ao ano e risco classificado como alto pela própria plataforma. A captação começou em 15 de outubro e pode ficar aberta até 1º de abril de 2027.
A Revolut é a quarta empresa estrangeira de tecnologia que a Hurst leva ao investidor por essa estrutura. Antes, a plataforma desenhou operações semelhantes para SpaceX, Kalshi e OpenAI, que movimentaram R$ 15 milhões, segundo o Valor. Nos documentos dessas ofertas, a Hurst Serviços de Investimento Coletivo e Securitização compra os direitos creditórios de um veículo no exterior que detém exposição às ações da empresa, e o CR é lastreado nesses recebíveis.
Os lotes anteriores saíram rápido. As cotas da SpaceX, oferecidas em abril, esgotaram em menos de 24 horas, com cerca de 100 investidores, segundo o Valor Investe. A rodada inicial da OpenAI, em maio, foi subscrita em 48 horas, e a Hurst abriu um lote complementar.
“É dentro dessa transformação que a Hurst enxerga uma oportunidade: criar acesso, para investidores qualificados brasileiros, a participações em empresas de tecnologia ainda fechadas.”
Breno Reis, CEO da Hurst Capital, à Capital Aberto em agosto
A estratégia ganhou peso em agosto, quando Breno Reis, que veio da Avenue há três anos, assumiu como CEO e o fundador, Arthur Farache, passou ao conselho e à criação de novos negócios. “É dentro dessa transformação que a Hurst enxerga uma oportunidade: criar acesso, para investidores qualificados brasileiros, a participações em empresas de tecnologia ainda fechadas, adquiridas de funcionários, fundadores ou investidores iniciais”, disse Reis à Capital Aberto. Fundada em 2017, a Hurst diz ter mais de 110 mil investidores e mais de R$ 1 bilhão originados em ativos alternativos, como precatórios e royalties musicais.
Por que importa. Securitização deixou de ser só crédito: a Hurst transforma uma fatia de empresa fechada no exterior em recebível vendido a partir de R$ 5 mil, e os lotes esgotam em horas. Para uma fintech, há receita em estruturar, distribuir e custodiar esse tipo de produto, porque o investidor brasileiro quer acesso a ativos que antes só os fundos tinham.
Fonte: Valor Econômico. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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