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Cripto

Itaú, Santander e Inter criam empresas só para cripto e entram em lista de 54 prestadoras de ativos virtuais às vésperas do prazo do BC

Os três bancos poderiam operar cripto só com um aviso ao Banco Central, mas preferiram abrir sociedades próprias; o pedido de autorização das prestadoras termina em 30 de outubro

Por Redação Mundo das Fintechs · 16/10/2026 · 3 min de leitura
Itaú, Santander e Inter criam empresas só para cripto e entram em lista de 54 prestadoras de ativos virtuais às vésperas do prazo do BC

Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú, no Web Summit Rio 2023. Foto: Web Summit Rio/Wikimedia Commons, CC BY 2.0

Itaú, Santander e Inter registraram empresas próprias com a denominação de sociedade prestadora de serviços de ativos virtuais (SPSAV), o modelo criado pelo Banco Central para quem compra, vende, guarda ou transfere criptoativos no país. A informação está no relatório Diálogos Cambiais, de Evandro Caciano, head de serviços financeiros da Logcomex, e foi publicada nesta quinta-feira (15) pelo WB3News.

A escolha chama atenção porque a Resolução BCB nº 520 permite que bancos com pelo menos 365 dias de autorização prestem serviços de ativos virtuais apenas com uma comunicação prévia ao BC, sem abrir outra empresa. Os três preferiram montar uma estrutura separada.

No cadastro da Receita Federal, consultado em 14 de outubro, a Itaú Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais Ltda. aparece aberta em 15 de setembro de 2025, com capital social de R$ 1 mil e tendo como sócios o Itaú Unibanco e a Itaú Consultoria de Valores Mobiliários e Participações. A Santander Investimentos Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais é uma sociedade anônima fechada de 2010, com capital de R$ 283,3 milhões. A Inter Digital Assets, com sede em Belo Horizonte, foi aberta em 16 de abril de 2025, com capital de R$ 6 milhões e a Inter&Co entre os sócios.

O relatório ressalva que a data do CNPJ não indica quando cada empresa adotou o nome de SPSAV e que o capital na Receita não é o capital mínimo exigido pelo BC, que vai de R$ 10,8 milhões a R$ 37,2 milhões, conforme as atividades, pela Resolução Conjunta nº 14.

“Quando bancos relevantes escolhem constituir uma SPSAV separada, isso revela que o mercado está tratando ativos virtuais como uma vertical própria de negócios, e não simplesmente como mais um produto dentro do banco.”

Evandro Caciano, head de serviços financeiros da Logcomex

Para Caciano, a sociedade separada funciona como um perímetro de risco. “Uma sociedade separada permite criar um perímetro muito mais claro para capital, governança, tecnologia, custódia, riscos operacionais, PLD/FTP, controles e eventualmente até parceiros e clientes”, disse ao WB3News. “E não coloca em jogo uma licença bancária com os riscos do novo mercado.” A SPSAV precisa ter capital próprio e pelo menos três diretores responsáveis perante o BC, e não pode conceder crédito nem captar recursos do público.

O levantamento identificou 54 empresas com a denominação de SPSAV. Dos 52 capitais sociais localizados, 18 chegam a R$ 10,8 milhões. Além dos bancos, a lista inclui estrangeiras como Coinbase, Kraken, Circle, Ripple, Bybit e Revolut.

O calendário aperta: em 30 de outubro termina o prazo para as prestadoras que já operavam pedirem autorização ao BC, e a partir de 6 de novembro bancos e instituições de pagamento ficam proibidos de trabalhar com prestadoras de ativos virtuais não autorizadas. Procurado pelo WB3News, o Inter disse que não participaria da reportagem; Itaú e Santander não responderam.

Por que importa. Por que importa: quando Itaú, Santander e Inter abrem empresas só para cripto, eles avisam que custódia, conversão de stablecoin e pagamento internacional viraram uma linha de negócio própria. Cada uma dessas 54 prestadoras vai precisar de tecnologia de custódia, controle de lavagem de dinheiro e integração com Pix e câmbio, e a fintech que entregar essa infraestrutura pronta tem uma fila de clientes com prazo do Banco Central para cumprir.

Fonte: WB3News. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.

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