Jota, de Davi Holanda e na infraestrutura da Celcoin, chega a R$ 600 milhões por mês, mira R$ 1 bilhão até dezembro e prepara Pix Crédito
Fundador da Bankly, que começou como caixa ganhando R$ 490, diz que o agente de IA pelo WhatsApp passou de 400 mil clientes e vai transformar o celular em maquininha; a conta roda sobre a Celcoin

Davi Holanda, fundador e CEO do Jota. Foto: Luciano Alves/Divulgação Jota
O Jota, agente de inteligência artificial que organiza contas e faz pagamentos por conversa no WhatsApp e em aplicativo próprio, passou de 400 mil clientes, se aproxima de 500 mil e processa R$ 600 milhões em transações por mês, segundo o fundador e CEO, Davi Holanda, em entrevista à Época Negócios publicada nesta sexta-feira (23). A meta é chegar a R$ 1 bilhão processado em um único mês até o fim de 2026 e a 1 milhão de clientes em 2027.
O número mensal subiu desde o levantamento divulgado pela fintech na segunda-feira (19), quando o volume era de cerca de R$ 560 milhões. Lançado em janeiro de 2025, o Jota atende pessoas físicas e pequenos empreendedores: conecta contas de outros bancos, acompanha gastos, faz Pix e paga boletos. Um dos exemplos citados por Holanda é o aviso de cheque especial, em que o agente percebe o saldo negativo em uma conta e sugere transferir dinheiro parado em outro banco. A parte bancária roda na infraestrutura da Celcoin, instituição de pagamento autorizada pelo Banco Central, segundo o site do Jota; a parceria também aparece em caso de uso publicado pela própria Celcoin em janeiro.
Entre as novidades em preparação estão uma solução de Pix Crédito e a possibilidade de transformar o celular em máquina de cartão. O modelo de receita combina uma versão gratuita, planos pagos de agentes de IA e serviços financeiros. Segundo Holanda, o agente vai poder recomendar produtos de outras instituições quando forem mais adequados ao usuário, e a rentabilidade não é prioridade: a empresa deve seguir em fase de investimento pelos próximos três anos.
Para bancar a expansão, o Jota levantou R$ 150 milhões em uma Série A anunciada em junho de 2026, liderada pela americana Haun Ventures, com HOF Capital, Alter Global e Greyhound Capital, depois de uma seed de R$ 60 milhões no início de 2025. O dinheiro vai para contratações, tecnologia e marca, o que inclui o patrocínio máster do Corinthians, fechado em poucos dias depois da proibição das bets na camisa.
“Aprendi que a minha vocação não é um negócio de plataforma. É um negócio focado em entregar valor diretamente para o cliente.”
Davi Holanda, fundador e CEO do Jota, à Época Negócios
Cearense, Holanda começou como caixa de câmbio ganhando R$ 490 por mês. Entrou na VisaNet, depois Cielo, em 2006, foi para o PagBank em 2012, onde estruturou a operação que deu origem à Moderninha, e fundou a Bankly, de banking as a service, depois de sair do PagBank no fim de 2018. A Bankly foi vendida ao Banco Votorantim (BV) no fim de 2023, e foi nesse processo que a ideia do Jota surgiu.
“Aprendi que a minha vocação não é um negócio de plataforma. É um negócio focado em entregar valor diretamente para o cliente”, disse Holanda à revista. Na Bankly, segundo ele, o resultado dependia do sucesso das empresas que usavam a infraestrutura. “Todo ser humano vai precisar de um agente de inteligência artificial”, afirmou.
Por que importa. Quem fundou um BaaS trocou a infraestrutura pela ponta: o Jota mostra que o dinheiro grande pode estar em ser a conversa por onde o cliente decide o que pagar, onde guardar e onde pegar crédito. Com R$ 600 milhões passando por mês, cada Pix, plano pago e indicação de produto vira receita, e o Pix Crédito abre a porta para ganhar nos juros. Para uma fintech nova, a lição é que a interface que o cliente já usa todo dia, como o WhatsApp, vale mais que um aplicativo a mais no celular.
Fonte: Época Negócios e site do Jota (jota.ai). Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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