FIDCs com o nome da CloudWalk somam R$ 18,9 bilhões, 40% mais em um ano, e superam os de Cielo, PicPay e Mercado Crédito, mostram dados da CVM
Levantamento do Mundo das Fintechs no informe mensal de setembro mostra a dona da InfinitePay com nove FIDCs, um deles o quinto maior do país; Agibank mais que dobra e Creditas cresce 79%

Luis Silva, fundador e CEO da CloudWalk. Foto: Divulgação/CloudWalk
Os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) da CloudWalk, dona da maquininha InfinitePay, somavam R$ 18,9 bilhões de patrimônio líquido em setembro de 2026, segundo o informe mensal que os fundos entregam à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), organizado pelo Mundo das Fintechs. São nove fundos com o nome da empresa, e o valor é 39,6% maior que o de setembro de 2025 (R$ 13,5 bilhões). No mesmo período, o patrimônio de todos os FIDCs do país cresceu 11,6%, de R$ 887,7 bilhões para R$ 990,8 bilhões.
Entre as sete fintechs e empresas de pagamento comparadas no levantamento, considerando só os fundos que levam o nome de cada uma, a CloudWalk tem mais que o dobro da segunda colocada. A Cielo aparece com R$ 7,06 bilhões em dois FIDCs, 23,7% menos que um ano antes. O PicPay tem R$ 7,05 bilhões em três fundos (alta de 28,2%), dois deles com FGTS no nome registrado na CVM. O Mercado Crédito, braço de crédito do Mercado Livre, soma R$ 6,64 bilhões em cinco fundos (alta de 36,2%).
Logo atrás vêm o Agibank, com R$ 5,72 bilhões em três FIDCs, 2,4 vezes o patrimônio de setembro de 2025 (R$ 2,37 bilhões, em um fundo só), o PagBank, com R$ 5,54 bilhões em dois fundos (alta de 8,1%), e a Creditas, com R$ 3,45 bilhões em sete fundos (alta de 79%), 96% do valor na série Creditas Auto, que inclui o Creditas Auto XII.
O maior fundo da CloudWalk é o CloudWalk Bela, com R$ 10,08 bilhões, ante R$ 4,29 bilhões um ano antes. É o quinto maior FIDC do país em patrimônio, atrás apenas do fundo do Sistema Petrobras, do Tapso, do Pan Auto e de uma classe de consignado privado da MT Global. Os outros fundos da empresa são o CloudWalk PI (R$ 3,26 bilhões), o CloudWalk A.I. (R$ 2,70 bilhões), o CloudWalk Leo (R$ 1,02 bilhão), que entregou o primeiro informe com patrimônio em setembro, e cinco fundos menores das séries Big Picture e Akira. Todos trazem “segmento meios de pagamento” no nome registrado na CVM.
“R$ 18,9 bilhões de patrimônio nos nove FIDCs com o nome da CloudWalk em setembro de 2026, contra R$ 13,5 bilhões um ano antes”
Informe mensal de FIDCs da CVM (dados abertos), organizado pelo Mundo das Fintechs
O peso do FIDC na CloudWalk já tinha aparecido em outro levantamento. Segundo a Sling Hub, plataforma de dados sobre startups, a empresa fez cinco FIDCs entre maio de 2024 e abril de 2026, o último de US$ 1,07 bilhão, e esse instrumento já responde por 57% do dinheiro captado por startups brasileiras em 2026, como mostrou o Mundo das Fintechs em outubro.
A CloudWalk foi fundada por Luis Silva, que é o CEO da empresa. Na prática, o FIDC permite que a fintech financie a antecipação de recebíveis e o crédito que oferece aos clientes com dinheiro de investidores, sem depender só do próprio balanço: a empresa cede os recebíveis ao fundo, que paga por eles com o dinheiro das cotas.
Como o levantamento foi feito: o Mundo das Fintechs somou o patrimônio líquido (tabela IV do informe mensal de FIDCs, dados abertos da CVM) dos fundos e classes cujo nome registrado traz CloudWalk, Cielo, PicPay, Mercado Crédito, Agibank, PagSeguro ou PagBank e Creditas, em setembro de 2025, agosto de 2026 e setembro de 2026, excluídos os fundos de cotas para não contar o mesmo dinheiro duas vezes. Empresas que usam FIDCs sem o próprio nome no fundo não aparecem na comparação, e os números de setembro de 2026 ainda podem mudar com informes entregues com atraso.
Por que importa. O caso da CloudWalk mostra o FIDC como fonte de dinheiro para o crédito de uma fintech de pagamentos: a empresa cede recebíveis ao fundo e financia a antecipação e o crédito aos clientes com dinheiro de investidores, sem depender só do próprio balanço. O ganho está na diferença entre o que a fintech cobra do cliente e o custo das cotas. Com R$ 990 bilhões em FIDCs no país, alta de 11,6% em 12 meses, há espaço tanto para a fintech que origina crédito e quer se financiar assim quanto para quem presta serviço a esses fundos: estruturação, administração, custódia, registro de recebíveis e dados de carteira.
Fonte: CVM (informe mensal de FIDCs, dados abertos) e Sling Hub. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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