Ruvo, fintech de ex-Uber, quer passar de R$ 1 bilhão em volume anualizado com conta global em stablecoin e Pix
Volume mensal cresceu 4,1 vezes desde fevereiro e base passa de 3 mil clientes; startup da Y Combinator disputa espaço com Wise, Nomad, Revolut e Nubank

Mike Mason e Alec Howard, fundadores da Ruvo. Foto: Divulgação/Ruvo
A Ruvo, fintech de conta global voltada a brasileiros, projeta superar R$ 1 bilhão em volume anualizado de transações até o fim de 2026, segundo disse o fundador e CEO, Alec Howard, ao Startups nesta quinta-feira (15). O volume mensal cresceu 4,1 vezes desde fevereiro, e a base passa de 3 mil clientes, mais da metade vinda por indicação.
Fundada em 2025, a empresa permite receber, converter e gastar dinheiro entre o Brasil e o exterior. A carteira junta Pix e stablecoins, dólares digitais que o cliente compra em reais e gasta com um cartão internacional da Visa emitido pela plataforma. As tarifas começam em 0,3%, e o suporte é feito por pessoas no WhatsApp, com apoio de inteligência artificial. “Fomos construídos realmente para brasileiros, pessoas e empresas. Nós nos concentramos apenas nesse mercado”, disse Howard.
A receita vem de três fontes: a compra de stablecoins, o intercâmbio cobrado nas compras com cartão e produtos de ativos digitais e renda. A empresa atende pessoas físicas e empresas que recebem do exterior e pagam funcionários e fornecedores. Segundo Howard, a compra de stablecoins é isenta de IOF pela interpretação regulatória adotada pela fintech. “Se houver mudança em torno do IOF com stablecoins, fomos construídos para acomodar isso”, afirmou.
Nas próximas semanas, a Ruvo vai passar a enviar e receber em euros e libras e a operar transferências via SWIFT, pedido dos clientes corporativos. A empresa lançou recentemente o Yield, que paga rendimento sobre o saldo, e avalia oferecer crédito.
“Fomos construídos realmente para brasileiros, pessoas e empresas. Nós nos concentramos apenas nesse mercado”
Alec Howard, fundador e CEO da Ruvo
Howard chegou ao Brasil em 2016 para trabalhar na equipe de pagamentos da Uber, onde ficou seis anos. A ideia surgiu ao ver o Pix funcionando na compra de uma água de coco na praia. O cofundador e CTO, Mike Mason, enviava dólares todo mês a engenheiros contratados no Brasil. A empresa nasceu com o nome Cacao, processou cerca de US$ 165 mil nas primeiras semanas e entrou no Batch Summer 2025 da Y Combinator. Em janeiro de 2026, captou US$ 4,6 milhões em rodada seed liderada pela 1confirmation, com Coinbase Ventures, Rebel Fund e investidores-anjo do Brasil e dos Estados Unidos.
Por que importa. Mandar e receber dinheiro do exterior ainda é caro e lento para o brasileiro, e a Ruvo mostra que dá para montar uma conta global em um ano juntando Pix, stablecoin e cartão de bandeira. A fintech ganha em três pontas, na compra do dólar digital, no intercâmbio do cartão e no rendimento do saldo, e o nicho de quem recebe em dólar, como freelancer, exportador e engenheiro, ainda tem muito espaço.
Fonte: Startups. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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