Nu Global: como funciona a conta do Nubank que transfere para mais de 35 países e rende até 3,5% ao ano em dólar digital
Lançada em setembro em Miami, a conta multimoeda guarda o saldo em USDC e EURC, as stablecoins da Circle, tem cartão virtual Mastercard e não cobra tarifa do Nu nas remessas; o Nubank detalhou as quatro funções em 4 de novembro

Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank e CEO do Nu nos Estados Unidos. Foto: Lucasgilbatista/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
O Nu Global, a conta multimoeda do Nubank para quem tem a vida financeira em mais de um país, faz transferências para mais de 35 países da América Latina e da Europa sem tarifa do Nu e paga até 3,5% ao ano sobre o saldo em dólar digital. O produto foi apresentado em 10 de setembro, em Miami, no mesmo evento em que o Nu começou a operar nos Estados Unidos, e o banco detalhou o funcionamento das quatro funções da conta em um texto publicado no blog do Nu em 4 de novembro.
A principal diferença para uma conta global comum está em onde o dinheiro fica. Todo depósito no Nu Global é convertido em USDC (dólar digital) ou EURC (euro digital), duas stablecoins emitidas pela Circle e pareadas ao dólar e ao euro. Segundo o Nubank, o saldo em USDC rende até 3,5% ao ano e o saldo em EURC, 2,2%, com rendimento creditado diariamente e sem carência.
Nas transferências, o Nu Global usa a cotação mid-market, a taxa de câmbio de referência do mercado, sem margem embutida. O Nu não cobra tarifa, mas o banco ou a rede local de quem recebe pode cobrar a própria, e o cliente vê o valor exato que chega antes de confirmar. Quem recebe não precisa ter conta no Nu; entre clientes, a transferência pode ser feita pelo Nu ID, um nome de usuário curto.
A conta tem ainda um cartão virtual Mastercard que gasta o saldo em USDC, sem tarifa de transação internacional, de conversão ou sobretaxa por parte do Nu; a conversão é feita pela cotação da própria Mastercard. O cartão funciona no Google Pay e no Samsung Pay, e há cartões temporários que expiram em 24 horas. A quarta função, chamada Diversify, permite comprar e vender uma seleção de ativos digitais, como bitcoin e ethereum, com o mesmo saldo, a um custo de 0,8% por transação.
“Até 3,5% ao ano em dólar digital, 2,2% em euro digital e transferências para mais de 35 países sem tarifa do Nu”
Blog do Nu, 4 de novembro de 2026
No lançamento, o acesso foi aberto por lista de espera, e a página do blog do Nu ainda mostra o botão para pedir acesso antecipado. Segundo o Canaltech, a integração do Nu Global entre Brasil, Estados Unidos, México e Colômbia estava prevista para os meses seguintes ao lançamento.
“Desde a nossa fundação, acreditamos que o banco digital obcecado pelo cliente é o futuro do varejo bancário no mundo, e, depois de provar essa tese com mais de 140 milhões de clientes fanáticos na América Latina, estamos animados para começar a executá-la além da nossa região principal”, afirmou David Vélez, fundador e CEO do Nu, no anúncio de setembro. A operação nos Estados Unidos é comandada pela cofundadora Cristina Junqueira, CEO do Nu nos EUA.
O Nu Global entra num mercado em que os brasileiros já têm várias opções de conta em moeda estrangeira, como as contas globais de Inter e C6 Bank e as de fintechs como Wise e Nomad. A aposta do Nubank é juntar remessa, rendimento, cartão e ativos digitais no mesmo aplicativo, com as stablecoins como base da conta.
Por que importa. O Nubank montou uma conta global inteira em cima de stablecoins: o saldo em USDC e EURC rende juros, circula entre mais de 35 países e alimenta um cartão Mastercard. Para uma fintech brasileira, a lição é que conta em dólar e remessa podem nascer sobre stablecoins, com um parceiro como a Circle: dá para atender quem recebe de fora, como freelancers e exportadores pequenos, e ganhar no rendimento do saldo, no cartão e na negociação de ativos.
Fonte: Blog do Nu, Nu (release de 10/09/2026) e Canaltech. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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