BC estima que 242 instituições podem ficar abaixo do novo capital mínimo, entre elas 56 instituições de pagamento e 53 SCDs
Relatório de Estabilidade Financeira divulgado nesta terça mostra déficit de R$ 585 milhões; o número caiu de 339 em dezembro com aumentos de capital, vendas de controle e incorporações

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, no Senado. Foto: Agência Senado (CC BY 2.0)
O Banco Central estima que 242 instituições financeiras e de pagamento podem não cumprir os novos requerimentos individuais de capital mínimo que passaram a valer em julho. O dado está no Relatório de Estabilidade Financeira (REF) divulgado nesta terça-feira (27), com base nos níveis de capital observados em junho de 2026.
As fintechs estão no centro da conta. Das 207 instituições de pagamento (IPs) analisadas, 56 (27,1%) ficariam desenquadradas, com deficiência somada de R$ 197,2 milhões, a maior entre todos os segmentos. Nas sociedades de crédito direto (SCDs), são 53 de 142 (37,3%), com falta de R$ 108,1 milhões. Entre as sociedades de empréstimo entre pessoas (SEPs), 7 de 12 (58,3%) estão abaixo do mínimo.
O déficit total estimado é de R$ 584,5 milhões, o equivalente a 0,03% do patrimônio de referência do sistema, porque as instituições desenquadradas são pequenas em ativos. Também aparecem na lista 29 administradoras de consórcio, 28 distribuidoras de valores (DTVMs), 20 corretoras de câmbio e 20 cooperativas de crédito.
O número caiu em relação às 339 entidades apontadas em dezembro de 2025. Segundo o BC, houve nos últimos meses um volume maior de pedidos de aumento de capital, de transferência de controle e de incorporação, o que reduziu as projeções de desenquadramento, sobretudo no curto prazo. A Resolução Conjunta 14, de novembro de 2025, elevou de forma substancial o capital social e o patrimônio exigidos, com transição gradual entre julho de 2026 e janeiro de 2028.
“Ter uma indústria de Banking as a Service muito bem regulada é muito benéfico, inclusive, para a concorrência e para a inovação.”
Doug Storf, CEO da Swap, ao Finsiders Brasil em 22/10
No mesmo relatório, o BC diz que os FIDCs e os certificados de recebíveis seguem crescendo, mas ainda têm lacunas de informação relevantes que dificultam medir seus riscos, e que conversa com a CVM para aperfeiçoar a regulação. O estoque de FIDCs chegou a R$ 608 bilhões em junho, alta de 22,3% em 12 meses.
Para quem não fechar a conta, o caminho mais citado pelo mercado é o Banking as a Service (BaaS), em que uma instituição autorizada executa a parte regulada e a fintech mantém a marca e o cliente. Em reportagem do Finsiders Brasil de 22/10, Doug Storf, CEO da Swap, defendeu o modelo como porta de entrada para novos competidores, e Rogerio Melfi, diretor-executivo da Associação Brasileira de Banking as a Service (ABBaaS), previu menos empresas sob fiscalização direta do BC e mais marcas operando por meio de parceiros.
Por que importa. A régua de capital subiu e 56 IPs e 53 SCDs ainda estão abaixo dela. Isso abre dois negócios: a fintech de nicho que migra para o BaaS e gasta o dinheiro do capital parado em produto e cliente, e o prestador de BaaS ou o comprador com caixa que absorve carteiras e licenças baratas de quem não vai chegar a 2028.
Fonte: Banco Central (Relatório de Estabilidade Financeira, out/2026), Valor Econômico e Finsiders Brasil. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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