Pedro Mac Dowell diz que a QI Tech vai faturar R$ 2 bilhões neste ano, com margem acima de 50%
No Do Zero ao Topo, do InfoMoney, o fundador contou como passou do tênis a uma gestora que quebrou em seis meses, recomeçou na crise de 2008 com a Quatá e criou a QI Tech depois de um e-mail de Natal a Jorge Paulo Lemann

Pedro Mac Dowell, fundador e CEO da QI Tech. Foto: Divulgação/QI Tech
Pedro Mac Dowell, fundador e CEO da QI Tech, disse que a empresa de infraestrutura financeira vai faturar R$ 2 bilhões neste ano, com margem Ebitda acima de 50% e crescimento de mais de 50%. Os números foram dados em entrevista a Mariana Amaro no podcast Do Zero ao Topo, do InfoMoney, publicado nesta segunda-feira (26).
A história começa no tênis. Mac Dowell contou que se mudou para São Paulo por volta dos 15 anos, treinava como profissional, chegou a ser bem ranqueado no estado e pensou em seguir carreira. Foi pelo tênis que conheceu Jorge Paulo Lemann, amigo de um tio dele, com quem passou a ter contato aos 15 ou 16 anos.
Aos 24, em 2004, abriu com dois amigos uma gestora que estruturava FIDCs. O negócio quebrou em seis meses: segundo ele, não conseguiu captar com investidores nem originar crédito. Depois passou pela Link, onde cuidava da gestão de fundos, e saiu em 2008 para montar a Quatá Investimentos. Vendeu a caminhonete, reuniu quatro investidores que colocariam R$ 7 milhões cada e viu a crise de 2008 reduzir o compromisso a R$ 14 milhões, que ficaram com Lemann e mais um sócio. Para tocar a operação, resgatou os R$ 400 mil que tinha investidos. “Cara, 400.000, a gente custa 40.000 por mês. Eu tenho 10 meses”, lembrou.
A Quatá deu certo e ele virou o maior acionista, mas, na virada de 2017 para 2018, ouviu de Lemann que precisava pensar em algo maior. No dia 25 de dezembro de 2017, mandou a ele um e-mail com a ideia de uma infraestrutura que juntasse o modelo da AWS, a nuvem da Amazon, ao da Stripe, de pagamentos. Lemann respondeu com o contato de André Street, fundador da Stone, que disse que “onde tiver pagamentos, vai ter que ter crédito” e apresentou Emílio, da área de tecnologia, que virou sócio fundador ao lado de Mac Dowell e de Marcelo Buosi, vindo da Quatá. Segundo ele, a ideia nasceu de uma dor da própria Quatá: a cada operação de crédito do FIDC, era preciso contratar um banco.
“Pô, você precisa pensar em alguma coisa para dar um porradão.”
Jorge Paulo Lemann, segundo Pedro Mac Dowell, no Do Zero ao Topo
A QI Tech começou em janeiro de 2018 com cerca de dez engenheiros, muitos vindos da Stone, e pediu licença ao Banco Central logo depois da regra das sociedades de crédito direto, de abril de 2018. A autorização saiu em dezembro daquele ano. Mac Dowell lembrou ainda de um período de cerca de 90 dias em risco porque a Receita Federal não conseguia enquadrar a empresa. Segundo a descrição do episódio, a QI Tech foi a primeira SCD autorizada pelo BC, a primeira fintech com licença de distribuidora de valores e hoje é avaliada em cerca de US$ 2 bilhões; por ela passam mais de R$ 490 bilhões em Pix, R$ 100 bilhões em crédito emitido e R$ 180 bilhões sob administração. Na entrevista, o CEO disse que a empresa emite e processa de R$ 9 bilhões a R$ 12 bilhões em crédito por mês, em quatro unidades de negócio. O MDF já mostrou como clientes usam essa estrutura, caso da Avelloz e da Raízes.
Por que importa. A QI Tech nasceu de uma dor que qualquer gestor de FIDC conhece: precisar de um banco para cada operação de crédito. Transformar esse gargalo em serviço cobrado por uso virou um negócio de R$ 2 bilhões de receita com margem acima de 50%, segundo o fundador. Para quem opera crédito, fundos ou pagamentos, o caminho mostrado é olhar a burocracia que trava a própria operação e vendê-la como infraestrutura para outras empresas.
Fonte: Do Zero ao Topo, do InfoMoney (YouTube, 26/10). Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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