Mural, infraestrutura para fintechs que já opera no Brasil, capta US$ 15 milhões em Série A liderada pela Tether
Fundada por ex-engenheiros da Palantir, a empresa soma US$ 28 milhões captados, processou US$ 2,1 bilhões em pagamentos desde 2025 e quer crescer na América Latina

A Mural, empresa americana de infraestrutura financeira para fintechs e plataformas digitais, captou US$ 15 milhões em uma rodada Série A liderada pela Tether, emissora da stablecoin USDT, com participação da North Island Ventures e de investidores que já estavam no capital da empresa. O anúncio foi feito nesta terça-feira (20). Com o aporte, a Mural soma US$ 28 milhões captados e pretende ampliar a atuação na América Latina, onde já opera no Brasil, na Argentina, na Colômbia e no México, segundo o Valor Econômico.
Fundada em 2022 em Nova York pelos ex-engenheiros da Palantir Sinclair Toffa, CEO, e Chris Fernandes, a Mural funciona como uma camada única que cuida de contas, pagamentos, identidade e compliance para empresas que querem oferecer produtos financeiros. A plataforma reúne as licenças, as relações com bancos e os meios de pagamento locais e em blockchain necessários para operar em cada país. Com isso, os clientes finais podem guardar dólares, stablecoins e moeda local numa mesma conta.
Entre os clientes estão a plataforma de folha de pagamento global Deel, o navegador Opera e a Axexo, que usam a Mural para montar produtos como folha de pagamento e remessas. Desde o lançamento da API, em 2025, a empresa processou US$ 2,1 bilhões em pagamentos para usuários de 128 países, e o volume acumulado em 2026 é quase seis vezes o de todo o ano passado, segundo a companhia. Entre os investidores anteriores está o empreendedor argentino Wences Casares, fundador do Patagon e do Xapo Bank, de acordo com o jornal La Nación.
“Nós somos uma fintech que permite que outras empresas construam produtos. Oferecemos a infraestrutura sobre a qual outras aplicações se apoiam”, disse Toffa ao La Nación. Segundo ele, as fintechs que atendem clientes em busca de contas em dólar não deveriam passar anos montando infraestrutura e lidando com exigências regulatórias antes de lançar o produto.
“Nós somos uma fintech que permite que outras empresas construam produtos. Oferecemos a infraestrutura sobre a qual outras aplicações se apoiam.”
Sinclair Toffa, cofundador e CEO da Mural, ao La Nación
Parte do dinheiro vai para a infraestrutura regulatória e de pagamentos voltada a agentes de inteligência artificial que movimentam dinheiro em nome de pessoas e empresas. “À medida que os agentes começam a movimentar dinheiro, a conexão com os bancos, as redes de pagamento e os sistemas de compliance sobre os quais o mundo ainda funciona se torna essencial, e a Mural já faz isso em escala”, afirmou Paolo Ardoino, CEO da Tether, no comunicado da rodada.
Por que importa. Montar licença, banco parceiro e compliance em cada país é o que mais atrasa uma fintech de conta em dólar, folha global ou remessa, e a Mural está sendo paga justamente para tirar esse peso. Para quem quer empreender, o recado é duplo: dá para lançar produto em dólar e stablecoin sobre infraestrutura pronta, e quem domina essa camada no Brasil tem um negócio que atrai cheque de gente como a Tether.
Fonte: Valor Econômico, La Nación e comunicado da Mural. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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