Mercado Bitcoin inicia recompra de criptomoedas após ataque hacker; US$ 33 milhões seguem com o invasor, cerca de 3% da custódia
Corretora diz que vai repor os ativos com dinheiro próprio, com parceiros no Brasil e no exterior, e que todos os saldos anteriores ao ataque serão honrados; caixa e custo da recompra não foram informados

Fabrício Tota, VP de Negócios Cripto do Mercado Bitcoin. Foto: Divulgação/MB
O Mercado Bitcoin (MB) começou a recompra de criptomoedas para repor os ativos desviados no ataque hacker sofrido na segunda-feira (2), segundo o Valor Econômico. De acordo com Fabrício Tota, VP de Negócios Cripto da corretora, cerca de US$ 33 milhões ainda estão nas mãos do responsável pelo ataque, o equivalente a aproximadamente 3% dos ativos custodiados pela empresa.
Em vídeo publicado no canal do MB no YouTube, Tota disse que a recompra é feita com parceiros no Brasil e no exterior e financiada com dinheiro da própria corretora. “A nossa mesa de operações traçou um plano que já está em execução para fazer a recompra desses ativos com parceiros aqui no Brasil e também no exterior”, afirmou. Segundo ele, todos os saldos de clientes registrados antes do ataque serão honrados.
Para mostrar fôlego financeiro, o executivo citou a posição de caixa e as rodadas de investimento da corretora, entre elas o aporte de US$ 20 milhões da Tether, emissora da stablecoin USDT, em julho deste ano. Segundo ele, o MB recebeu mais de US$ 300 milhões em investimentos desde 2020. Tota não informou quanto a empresa tem hoje em caixa nem o custo estimado da recompra.
Os ativos roubados estavam nas hot wallets, carteiras conectadas à internet que as corretoras usam para saques e depósitos do dia a dia; a maior parte da custódia do MB fica em carteiras frias, fora da internet, segundo o executivo. Ele não detalhou como os invasores entraram nos sistemas nem se os responsáveis foram identificados. O ataque envolveu US$ 49,2 milhões em ativos digitais, e a corretora informou nesta semana ter bloqueado mais de US$ 16 milhões, de acordo com o Valor.
“A nossa mesa de operações traçou um plano que já está em execução para fazer a recompra desses ativos com parceiros aqui no Brasil e também no exterior”
Fabrício Tota, VP de Negócios Cripto do Mercado Bitcoin, em vídeo no YouTube da corretora
A partir de segunda-feira (9), os clientes voltam a acessar as contas pelo site, mas só para consultar saldos e investimentos, na posição anterior ao incidente. Negociações, saques e depósitos serão liberados depois, por grupos de criptoativos e redes, ainda sem cronograma para a volta completa.
Por que importa. Um ataque que leva cerca de 3% da custódia e deixa a corretora sem saques e negociações desde segunda (2), sem prazo para a volta completa, mostra quanto vale a infraestrutura de segurança em cripto. Para quem tem ou quer montar fintech, há negócio em custódia com carteiras frias, monitoramento de transações on-chain, seguro de ativos digitais e serviços de liquidez para corretoras, exigências que devem pesar mais com a autorização de PSAV pelo Banco Central.
Fonte: Valor Econômico. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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