B3 amplia calculadora de preços para 730 CRAs e 950 CRIs, que somam 95% dos negócios de CRA e 83% dos de CRI no Trademate
Ferramenta CALC converte a taxa negociada em preço unitário e busca oferecer referência comum no secundário; estoque de CRA e CRI na bolsa era de R$ 449 bilhões em agosto

Fernando Bianchini, superintendente de produtos de renda fixa da B3. Foto: Divulgação/B3
A B3 ampliou a cobertura da CALC, sua calculadora de renda fixa, para 730 certificados de recebíveis do agronegócio (CRA) e 950 certificados de recebíveis imobiliários (CRI), segundo o Valor Econômico. A ferramenta converte a taxa combinada entre comprador e vendedor no preço unitário (PU) do título, levando em conta prazo, remuneração e calendário de pagamentos de cada papel.
Os títulos agora cobertos respondem por 95% dos negócios com CRA e por 83% das operações com CRI fechados no Trademate, a plataforma eletrônica de negociação de renda fixa da bolsa, lançada em outubro de 2024 para CRA, CRI, debêntures e cotas de fundos fechados. Em agosto, o estoque desses certificados registrado na B3 era de cerca de R$ 449 bilhões: R$ 175 bilhões em CRA e R$ 274 bilhões em CRI.
A cobertura ainda é parcial. Há 1.350 CRAs e 5.380 CRIs registrados na B3, um total de 6.730 títulos, mas os papéis incluídos concentram a maior parte das negociações no Trademate. Além de converter taxa em PU e o caminho inverso, a CALC projeta pagamentos futuros, informa o valor nominal atualizado e simula o preço de liquidação.
A dificuldade de precificar vem da natureza desses papéis. Ao contrário das ações, os títulos de crédito privado podem passar dias sem negócio, e cada emissão tem indexador, vencimento, amortizações e fluxo de pagamentos próprios. Por isso, a mesma taxa pode resultar em preços diferentes conforme o modelo usado por cada lado.
“Em crédito privado, combinar uma taxa é apenas parte do processo. É necessário que as duas instituições consigam chegar ao preço correspondente àquela taxa.”
Fernando Bianchini, superintendente de produtos de renda fixa da B3
“Em crédito privado, combinar uma taxa é apenas parte do processo. É necessário que as duas instituições consigam chegar ao preço correspondente àquela taxa, considerando todas as características do ativo”, disse Fernando Bianchini, superintendente de produtos de renda fixa da B3. Segundo ele, a referência não substitui a formação de preços nem a avaliação de risco de cada instituição, mas garante uma forma consistente de chegar ao PU da taxa negociada.
Por que importa. Quando a própria bolsa passa a oferecer uma referência comum para calcular o preço de 1.680 certificados, cada instituição passa a depender menos de modelos próprios de cálculo, e o custo de montar uma mesa ou uma plataforma de crédito privado tende a cair. Sobra espaço para a fintech de investimentos, a securitizadora ou a gestora pequena que quer distribuir ou negociar CRI e CRA e ganhar na intermediação, num estoque de R$ 449 bilhões cujos papéis nem sempre são negociados todo dia.
Fonte: Valor Econômico. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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