CVM: ofertas somam R$ 708 bilhões até setembro, com FIDCs em alta de 19,8% e debêntures em queda de 26,7%
Boletim do 3º trimestre mostra Fiagros de R$ 44,9 bilhões, CRAs em queda de 62,5% e o crowdfunding com recorde mensal de emissões em julho e 87 plataformas registradas

Otto Lobo, presidente da CVM, no IV Congresso de Direito de Fundos de Investimento. Foto: CVM/Divulgação
As ofertas de valores mobiliários registradas no Brasil somaram R$ 708,2 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, em 3.578 operações, segundo o Boletim Econômico do terceiro trimestre da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), noticiado pelo FIDC Data nesta sexta-feira (30). O volume é 12,1% maior que o dos nove primeiros meses de 2025, e o número de ofertas subiu 7,9%.
No crédito, o quadro foi desigual. As emissões de FIDCs cresceram 19,8% no período, enquanto as debêntures, principal instrumento de dívida das empresas, caíram 26,7%, para R$ 220,2 bilhões. Os CRAs tiveram a maior queda, de 62,5%, de R$ 29,3 bilhões para R$ 11 bilhões. Já os certificados de recebíveis da lei de securitização de 2022 subiram 47%, para R$ 42,4 bilhões.
O destaque foram os Fiagros, com R$ 44,9 bilhões em emissões até setembro, contra R$ 3,6 bilhões um ano antes, mais de quatro vezes o total de 2025 inteiro. As ofertas de ações somaram R$ 35 bilhões em 11 operações, ante R$ 4,5 bilhões em sete. Os fundos imobiliários captaram R$ 125,3 bilhões, alta de 87,3%.
O crowdfunding (investimento participativo) teve 681 ofertas e R$ 2,8 bilhões captados, altas de 25,2% e 36,8%. Julho bateu o recorde mensal da série, com 99 emissões, e o número de plataformas registradas na CVM passou de 69 para 87.
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Segundo o boletim, o patrimônio dos fundos de investimento chegou a R$ 12,17 trilhões em setembro, dos quais R$ 2,88 trilhões em fundos estruturados. O número de consultores de valores mobiliários subiu 19%, para 3.131, e o de assessores de investimento caiu 3,8%, para 27.144.
Por que importa. Num ano em que a debênture encolheu, o FIDC cresceu quase 20%, sinal de apetite por crédito lastreado em recebível. A fintech que origina boleto, duplicata, consignado ou agro e empacota essa carteira num fundo tem funding disponível, e quem presta o serviço em volta (originação, cobrança, dados, plataforma de crowdfunding) cresce junto: o número de plataformas de crowdfunding registradas na CVM passou de 69 para 87.
Fonte: FIDC Data, com dados do Boletim Econômico da CVM. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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