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Cripto

Binance sofre ataque de US$ 6,3 bilhões e reserva caixa próprio para cobrir clientes no último dia do prazo da licença cripto no Brasil

Causa preliminar é o notebook comprometido de um engenheiro de DevOps; cerca de US$ 3 bilhões foram congelados on-chain e a empresa diz não haver evidência de vazamento de chave privada de carteira

Por Redação Mundo das Fintechs · 30/10/2026 · 3 min de leitura
Binance sofre ataque de US$ 6,3 bilhões e reserva caixa próprio para cobrir clientes no último…

Reprodução/Binance

A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, estima em cerca de US$ 6,3 bilhões o impacto financeiro de um incidente de segurança que permitiu saques não autorizados da plataforma, informou a empresa entre quinta-feira (29) e esta sexta-feira (30). Com a ajuda de parceiros de blockchain, cerca de US$ 3 bilhões dos ativos afetados foram congelados on-chain. Depósitos e saques foram suspensos temporariamente enquanto a empresa conclui as checagens de segurança.

Segundo a investigação preliminar, o ataque pode ter começado no notebook comprometido de um engenheiro de DevOps, o que deu ao invasor acesso a um ambiente de serviço da empresa, de onde ele enviou as transações de saque. “Nossa investigação inicial sugere que este incidente de segurança pode ter começado com o laptop comprometido de um engenheiro de DevOps”, afirmou o co-CEO Richard Teng. Ele ressaltou que o ataque foi complexo, que a apuração não atribuiu responsabilidade a nenhum indivíduo e que, até agora, não há evidência de vazamento de chave privada de carteira. Um relatório técnico detalhado será publicado ao fim da investigação.

Nesta sexta, a Binance informou que começou a recuperar os ativos para os usuários e que reservou mais de US$ 6,34 bilhões em recursos próprios para cobrir o incidente. Desse total, US$ 5 bilhões já estão nos mesmos tokens que foram afetados, e o restante está sendo comprado no mercado e em operações de balcão (OTC). Não se trata de dinheiro recuperado dos hackers: é caixa da própria empresa, que se comprometeu a cobrir todas as perdas com o fundo de proteção SAFU e recursos próprios. Os valores congelados seguem em processo de recuperação e verificação.

Emissoras de stablecoins ajudaram no bloqueio: a Tether congelou mais de 1,5 bilhão de USDT e a Circle, cerca de 800 milhões de USDC ligados ao incidente, segundo o The Hacker News. Empresas de análise de blockchain atribuem o ataque ao grupo norte-coreano TraderTraitor e o comparam ao ataque de US$ 1,5 bilhão à Bybit em 2025, até então o maior da história das criptomoedas. A Binance diz trabalhar com as autoridades para identificar os responsáveis.

“Nossa investigação inicial sugere que este incidente de segurança pode ter começado com o laptop comprometido de um engenheiro de DevOps.”

Richard Teng, co-CEO da Binance

O caso estoura no Brasil num dia simbólico: esta sexta-feira (30) é o último dia para que as empresas que já operam com criptoativos peçam ao Banco Central autorização para funcionar como prestadoras de serviços de ativos virtuais (PSAV). A própria Binance protocolou o pedido, como mostrou o Mundo das Fintechs na segunda-feira (26), com um modelo de duas empresas: a Binance Brasil (antiga Sim;paul) para os saldos em reais e a B Brasil para as operações com ativos virtuais. A empresa não detalhou se clientes brasileiros foram afetados pelo incidente.

Pelas regras do BC, quem não pedir a licença até hoje terá de encerrar a operação e devolver o saldo dos clientes, e a partir de 6 de novembro bancos e instituições reguladas ficam proibidos de operar com prestadoras não autorizadas. O episódio da Binance coloca segurança de sistemas e custódia no centro da avaliação das corretoras que entram agora no perímetro regulado.

Por que importa. O incidente mostra que, em cripto, o maior risco não é só a chave da carteira, mas as pessoas e os sistemas que têm autoridade para movimentá-la. Com a licença PSAV, toda corretora brasileira vai precisar provar segurança e custódia ao Banco Central, e isso abre mercado para fintechs de infraestrutura: custódia qualificada, monitoramento de transações on-chain, gestão de acessos e chaves, e cripto como serviço para quem não quer montar tudo sozinho.

Fonte: Binance, BBC News Brasil, ABC News e The Hacker News. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.

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