FIDCs chegam a R$ 608 bilhões e crescem 22,3% em um ano, mas BC vê lacunas para medir o risco
Relatório de Estabilidade Financeira mostra que os fundos de direitos creditórios já são 18% do mercado de capitais; CCBs sem coobrigação sobem 69,6%

Reprodução/Banco Central do Brasil
Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) somavam R$ 608 bilhões em estoque em junho de 2026, alta de 22,3% em 12 meses, segundo o Relatório de Estabilidade Financeira (REF) que o Banco Central divulgou na terça-feira (27). É o segundo maior instrumento do mercado de capitais brasileiro, atrás só das debêntures, com 18% do total.
O mercado de capitais como um todo chegou a R$ 3,424 trilhões, com crescimento de 18,8% em um ano, ritmo que o BC chama de “bastante superior ao crédito bancário”. As debêntures lideram, com R$ 1,522 trilhão (44%), seguidas por FIDCs, CPRs (R$ 575 bilhões), CRIs (R$ 268 bilhões), CRAs (R$ 173 bilhões), CCBs sem coobrigação (R$ 149 bilhões) e notas promissórias e comerciais (R$ 129 bilhões).
A maior alta em 12 meses foi a das Cédulas de Crédito Bancário sem coobrigação, de 69,6%, embora o ritmo tenha caído 12,2 pontos percentuais desde dezembro. O crescimento dos FIDCs também desacelerou, 1,3 ponto percentual no mesmo período.
No relatório, o BC afirma que os FIDCs mantêm “conexões relevantes” com instituições reguladas por ele, por meio da cessão de ativos e do investimento em cotas, e que esses fundos e os certificados de recebíveis ainda têm lacunas de informação que dificultam enxergar o risco. Segundo o documento, BC e CVM têm conversado para aperfeiçoar a regulação.
“FIDCs e certificados de recebíveis têm apresentado crescimento constante, mas ainda possuem algumas lacunas informacionais relevantes que dificultam identificar os riscos associados a esses instrumentos.”
Banco Central, no Relatório de Estabilidade Financeira
O alerta vem depois de o Conselho Monetário Nacional endurecer, a partir de 13 de outubro, as regras para fundos de direitos creditórios que investem em créditos judiciais e arbitrais, após o BC apontar preocupação com estruturas de “múltiplas camadas de fundos”, como registrou o Valor Econômico.
Por que importa. Um mercado de R$ 608 bilhões que cresce 22% ao ano e ainda tem lacunas de informação é, na prática, uma oportunidade de negócio. Quem originar crédito com dados bem rastreados, ou oferecer tecnologia de lastro, registro e monitoramento de carteira para gestoras e securitizadoras, vende exatamente o que o regulador está cobrando, e tende a captar mais barato.
Fonte: Banco Central (Relatório de Estabilidade Financeira) e Valor Econômico. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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