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Bancos digitais

Cash App, de Jack Dorsey, quer virar banco digital: 9,4 milhões já usam o app como banco principal e a Block pediu licença para o Builders Bank

Unidade da Block responde por 64% do lucro bruto do grupo, cresce com empréstimos de até US$ 500 e tenta deixar para trás processos sobre fraude e uma reserva de US$ 526 milhões para acordo com o Departamento de Justiça dos EUA

Por Redação Mundo das Fintechs · 02/11/2026 · 3 min de leitura
Cash App, de Jack Dorsey, quer virar banco digital: 9,4 milhões já usam o app como banco…

Jack Dorsey, cofundador da Block. Foto: Steve Jurvetson/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O Cash App, carteira digital da Block, empresa de Jack Dorsey, quer deixar de ser só um aplicativo de pagamentos e virar banco digital, segundo reportagem da Bloomberg publicada no Brasil pela Bloomberg Línea neste domingo (1º). Hoje, 9,4 milhões de pessoas usam o Cash App como principal ferramenta bancária, pelas contas da própria Block, número que cresceu 17% em um ano.

Em setembro, a Block pediu ao Gabinete do Controlador da Moeda (OCC), regulador bancário dos Estados Unidos, autorização para fundar o Builders Bank & Trust. O grupo já tem uma licença de empresa de empréstimos industriais por meio da subsidiária Square Financial Services.

O Cash App gerou quase US$ 4 bilhões em lucro bruto até agora neste ano, ou 64% do total da Block. Em 2018 eram US$ 195 milhões, ou 15% do total. O crescimento vem de empréstimos, investimentos e promoções cruzadas com a Square, a outra empresa do grupo. O app oferece empréstimos pessoais de até US$ 500, com taxa que costuma ser de 5%, e opções de compre agora e pague depois. As concessões de empréstimos aumentaram 59% no segundo trimestre, com taxas de perda e inadimplência relativamente estáveis, segundo a empresa.

A virada acontece depois de anos de problemas. Ações movidas por agências estaduais e federais acusaram criminosos e fraudadores de usar a plataforma para fins ilícitos. Em agosto, a Block dobrou para US$ 526 milhões a reserva para um possível acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, numa investigação que se arrasta há anos; a empresa ainda negocia e não está claro se haverá acordo. Executivos da Block disseram à Bloomberg que eliminaram o máximo possível de contas problemáticas que conseguiram identificar.

“Vemos uma conexão direta entre a confiança na plataforma e nosso crescimento. Nossos clientes só farão dela sua principal relação financeira se confiarem nela.”

Amrita Ahuja, diretora financeira e de operações da Block, à Bloomberg

“Vemos uma conexão direta entre a confiança na plataforma e nosso crescimento. Nossos clientes só farão dela sua principal relação financeira se confiarem nela”, disse Amrita Ahuja, diretora financeira e de operações da Block. Para Owen Lau, analista que acompanha fintechs na Clear Street, os investidores querem ver o retorno dos investimentos e saber se eles trazem crescimento sustentável.

Para fidelizar, o Cash App tem um programa que paga juros mais altos na poupança, dá acesso a caixas eletrônicos sem tarifa e proteção contra saldo negativo, além de negociação de ações, ETFs e bitcoin. Pelo programa Neighborhoods, lojistas que recebem pela Square oferecem vantagens a quem paga com o Cash App, canal que Dorsey espera transformar em uma das principais fontes de novos clientes, segundo sua carta mais recente aos acionistas.

Por que importa. O Cash App mostra o caminho que muita fintech de pagamento segue: a transferência atrai o cliente, mas o dinheiro vem quando o app vira a conta principal e passa a emprestar. Pequenos empréstimos com taxa fixa, vantagens com lojistas e juros na poupança fazem cada cliente render mais. No Brasil, onde o Pix já resolve a transferência de graça, a fintech que ganha é a que convence o cliente a deixar o salário nela.

Fonte: Bloomberg Línea. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.

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