Mercado Bitcoin sofre ataque hacker estimado em R$ 217,7 milhões e suspende saques e depósitos
Corretora brasileira diz que clientes não tiveram prejuízo; ataque atingiu carteiras quentes em pelo menos 10 blockchains, quatro dias depois do roubo de US$ 6,3 bilhões da Binance

Roberto Dagnoni, CEO e chairman do Mercado Bitcoin. Foto: Divulgação/MB
O Mercado Bitcoin (MB), corretora brasileira de criptoativos, confirmou nesta segunda-feira (2) que sofreu um ataque hacker na madrugada e suspendeu temporariamente saques e depósitos. A empresa de segurança em blockchain Hypernative estima que pelo menos US$ 40 milhões, cerca de R$ 217,7 milhões, saíram de carteiras da corretora, segundo a Exame. O Estadão/Broadcast fala em perdas de US$ 50 milhões.
Em comunicado no X, o MB afirmou que identificou e conteve o incidente em um de seus sistemas, que não houve prejuízo a clientes nem vazamento de dados. “Como medida preventiva de proteção, depósitos e saques estão temporariamente suspensos. Nossas equipes estão mobilizadas investigando o caso, rastreando os ativos e coordenando as medidas junto às autoridades competentes”, disse a empresa.
Segundo o Estadão, o ataque atingiu as carteiras quentes (hot wallets), conectadas à internet e que não guardam a maior parte dos ativos. As carteiras frias, offline, não foram afetadas. De acordo com a CoinDesk, que cita relatório repassado por Pablo Sabbatella, fundador da empresa de segurança Opsek, carteiras em pelo menos 10 blockchains, entre elas Ethereum, Solana, Tron, Polygon e Stellar, foram esvaziadas para endereços recém-criados. O invasor detém cerca de 2.852 ETH, 106 BTC, 10,7 mil SOL e 6,7 milhões de XLM, além de outros tokens. Foram transferências simples, sem exploração de contrato inteligente, e ainda não se sabe como o invasor conseguiu autorizar as transações.
O MB publicou no X os endereços de destino das movimentações para ajudar no rastreamento. A Tether, emissora da stablecoin USDT, congelou parte dos recursos ligados ao ataque: US$ 4,5 milhões, segundo o CEO da empresa, Paolo Ardoino, citado pela CoinDesk; a Exame fala em cerca de US$ 3,7 milhões. Às 11h40, a reportagem da Exame não conseguiu entrar no aplicativo da corretora.
“Como medida preventiva de proteção, depósitos e saques estão temporariamente suspensos.”
Mercado Bitcoin, em comunicado
O ataque ocorre quatro dias depois do roubo de US$ 6,3 bilhões da Binance, atribuído pelo FBI a hackers da Coreia do Norte. Segundo a CoinDesk, não há evidência pública que ligue os dois casos.
O episódio também vem logo após o fim do prazo de 30 de outubro para que as corretoras que já operavam no Brasil pedissem autorização ao Banco Central como prestadoras de serviços de ativos virtuais (PSAV). O MB protocolou o pedido em 27 de outubro. Fundada em 2013, a corretora diz ter 4,5 milhões de clientes e tem entre os investidores a Tether, o SoftBank e a GP Investimentos.
O Mercado Bitcoin é comandado por Roberto Dagnoni, CEO e chairman da corretora. Até a publicação desta reportagem, a empresa não havia informado quando saques e depósitos voltam a funcionar.
Por que importa. Segurança virou o produto que mais vale no mercado cripto regulado. Com o Banco Central analisando mais de 60 pedidos de licença, toda corretora vai precisar provar custódia, rastreamento e resposta a incidentes, e muitas vão comprar isso pronto. Fintech que vender custódia segura, monitoramento de carteiras em tempo real ou seguro contra ataque tem um cliente novo em cada pedido de PSAV.
Fonte: Exame. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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