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Casap capta 56 milhões de dólares com Experian e Synchrony para usar agentes de IA contra a fraude de quem contesta a própria compra

Startup americana fundada por ex-Robinhood e ex-Chime diz cortar até 51% das perdas com fraude de primeira parte e resolver contestações em 8 dias, contra até 90 no método tradicional

Por Redação Mundo das Fintechs · 02/11/2026 · 3 min de leitura
Casap capta 56 milhões de dólares com Experian e Synchrony para usar agentes de IA contra a…

Shanthi Shanmugam, CEO e cofundadora da Casap. Foto: Divulgação/Casap

A Casap, startup americana que usa agentes de inteligência artificial para resolver contestações de compras e combater fraudes em cartões, captou US$ 56 milhões, cerca de R$ 305 milhões, numa rodada Série B liderada pela Base10 Partners. A Experian, dona da Serasa, e a Synchrony, uma das maiores emissoras de cartões de varejo dos Estados Unidos, entraram como investidoras estratégicas. Emergence Capital e Lightspeed Venture Partners, que já estavam no capital, acompanharam. O anúncio foi feito em 28 de outubro e voltou a circular nesta segunda-feira (2) na FinTech Futures.

Com o aporte, a empresa chega a US$ 90 milhões captados desde 2023, pouco mais de um ano depois da Série A de US$ 25 milhões. Segundo a Casap, a receita cresceu dez vezes nesse período, o dobro da meta original, e a plataforma já atende mais de 100 bancos, cooperativas de crédito, fintechs e processadoras. O valuation não foi divulgado.

O alvo da Casap é a chamada fraude de primeira parte, ou “fraude amiga”: quando o próprio dono do cartão contesta uma compra que fez. Segundo a Fortune, esse tipo de golpe já responde por quase um terço das transações fraudulentas com cartão nos Estados Unidos, impulsionado por ferramentas de IA que facilitam abrir contestações e por grupos em redes sociais que trocam dicas. Muitos emissores simplesmente devolvem o dinheiro em contestações abaixo de um certo valor, em geral perto de US$ 30, porque investigar sai mais caro.

“Quando você olha as regras que regem essas contestações, elas são escritas de um jeito que quase pressupõe que ninguém mente”, disse Shanthi Shanmugam, CEO e cofundadora da Casap, à Fortune. Os agentes da empresa investigam o caso, juntam provas, aplicam a política de cada instituição e chamam um analista humano quando a decisão exige julgamento. A Casap diz que seus clientes reduziram em até 51% as perdas com fraude de primeira parte, elevaram a taxa de vitória em chargebacks para 96%, contra uma média de 60% no mercado, e resolvem uma contestação em 8 dias em média, contra até 90 dias no processo tradicional.

“Quando você olha as regras que regem essas contestações, elas são escritas de um jeito que quase pressupõe que ninguém mente.”

Shanthi Shanmugam, CEO e cofundadora da Casap, à Fortune

Shanmugam trabalhou como gerente de produto na Robinhood, na Meta e na Salesforce e fundou a Casap com Saisi Peter, que veio do banco digital Chime. O nome vem de “get your Case done ASAP”, algo como “resolva seu caso o quanto antes”. Com o dinheiro novo, a startup quer sair das contestações e levar os agentes para outras áreas de retaguarda de bancos e emissores, como reclamações de clientes, cobrança e sinistros.

“A mesma tecnologia reduz o custo do trabalho complexo e ao mesmo tempo melhora a velocidade, a qualidade e a consistência”, afirmou Adeyemi Ajao, managing partner da Base10, no comunicado. Kelly Shaw, vice-presidente sênior da Synchrony Ventures, disse que a contestação de uma cobrança “é um momento importante para acertar” e que o investimento reforça a aposta da emissora em agentes de IA na operação.

No Brasil, a contestação também pesa no caixa de quem vende e de quem emite. A Appmax, por exemplo, vê as contestações subirem de 31% a 32% no fim do ano, como o MDF mostrou aqui.

Por que importa. Contestação de compra é um custo que todo emissor de cartão paga e quase ninguém gosta de cuidar. Quem transforma esse prejuízo em processo automático vende economia direta para bancos, fintechs e adquirentes, e no Brasil, com a Black Friday chegando e as contestações subindo no fim do ano, a fintech que oferecer antifraude e gestão de disputas como serviço tem um mercado inteiro pedindo ajuda.

Fonte: Casap (comunicado), Fortune e FinTech Futures. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.

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