CSD BR já liquidou R$ 320 bilhões no ano e aposta em interoperabilidade com a BEE4 para disputar mercado com a B3
CEO Edivar Queiroz diz que a infraestrutura passou a B3 em swaps de balcão sem tirar negócio dela e que o acordo com a BEE4 aguarda só o procedimento operacional dos reguladores

Edivar Queiroz, CEO da CSD BR. Foto: Divulgação/CSD BR
A CSD BR, infraestrutura do mercado financeiro que se prepara para concorrer com a B3, já liquidou R$ 320 bilhões em operações em 2026 até perto do fim de setembro, segundo o CEO da companhia, Edivar Queiroz, em entrevista ao Money Times publicada nesta terça-feira (27). A empresa já ultrapassou a B3 em volume de operações com swaps de balcão.
Para Queiroz, o avanço em derivativos mostra que a entrada de um novo participante não depende de tirar negócio de quem já está no mercado. “Nós não pegamos o mercado da B3. A B3 continua crescendo, e nós criamos um mercado”, afirmou. Na tese dele, o Brasil está entre as maiores economias do mundo, mas tem um mercado de capitais relativamente pequeno.
A CSD BR tem licenças para registro, depósito e liquidação de ativos financeiros e valores mobiliários, como CDBs, LCIs, letras financeiras, debêntures e ações. No caso das ações, faz o registro e o depósito, sem ambiente próprio de negociação.
A principal aposta é a interoperabilidade entre depositárias. A companhia assinou um acordo com a BEE4 para que quem está conectado a uma das duas consiga comprar um ativo registrado na outra, sem ligação direta com todas as infraestruturas. Segundo Queiroz, o modelo já foi considerado juridicamente viável pela CVM e pelo Banco Central, mas ainda aguarda a definição do procedimento operacional. Ele diz que é a primeira iniciativa voluntária desse tipo entre duas depositárias de valores mobiliários no país.
“Nós não pegamos o mercado da B3. A B3 continua crescendo, e nós criamos um mercado.”
Edivar Queiroz, CEO da CSD BR, ao Money Times
O executivo também defende a conexão entre infraestruturas como contingência: se uma plataforma parar, novas negociações poderiam seguir em outro ambiente conectado, enquanto as operações antigas continuariam sendo liquidadas pela infraestrutura de origem.
Toda a tecnologia da CSD BR é desenvolvida dentro de casa. A empresa tem cerca de 200 funcionários, dos quais aproximadamente 140 são engenheiros. “Fizemos essa escolha para ter controle sobre os sistemas”, disse o CEO.
Por que importa. Quando a registradora e a depositária deixam de ser monopólio, fica mais barato emitir e distribuir CDB, debênture e cota de fundo, e o acesso deixa de depender de uma porta só. Para fintech de investimento, DTVM e plataforma de crédito, isso abre espaço para lançar produto com custo menor de infraestrutura e para vender ativos que estão em outra depositária sem montar uma conexão nova para cada uma.
Fonte: Money Times. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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