SulAmérica Investimentos, com R$ 100 bilhões, diz que os FIDCs foram a grande surpresa do ano e ainda evita o consignado privado
A CIO Daniela Gamboa conta que a gestora aumentou o caixa, encurtou prazos e zerou a exposição à saúde, mas viu os fundos de recebíveis resistirem ao teste de estresse

Daniela Gamboa, CIO de crédito privado e imobiliário da SulAmérica Investimentos. Foto: Divulgação/Anbima Summit
A SulAmérica Investimentos, que passou de R$ 100 bilhões sob gestão em setembro, afirma que os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) foram a grande surpresa de 2026. Em entrevista ao E-Investidor, do Estadão, publicada nesta segunda-feira (26), Daniela Gamboa, CIO de crédito privado e imobiliário da gestora, disse que esperava uma piora na inadimplência, mas que as estruturas resistiram.
“Nossa expectativa era que aconteceria uma piora na inadimplência, mas as estruturas têm se mostrado muito resilientes, mesmo nesse teste de estresse. A indústria de fundos, em geral, não mostra crescimento, mas os FIDCs representam uma exceção”, afirmou. Ela vê a indústria “bastante saudável”, embora ache natural que, em algum momento, parte dos investidores fique mais negligente com o risco.
No resto do crédito privado, a postura é defensiva. A gestora opera com caixa maior do que o habitual, risco mais baixo e prazos médios mais curtos. Investe em energia elétrica, telecomunicações e saneamento, com posições em Axia Energia, a antiga Eletrobras, Sabesp e, mais recentemente, olhando a Copasa. No varejo, gosta do Assaí. E zerou a exposição ao setor de saúde, por causa da pressão de capital de giro na cadeia: quando o plano demora a pagar, hospitais e laboratórios ficam mais frágeis.
Um produto que interessa diretamente às fintechs ficou de fora: o consignado privado. “Acompanhamos de perto, mas, por ser um novo perfil de crédito, ainda não nos sentimos confortáveis em começar uma alocação”, disse Gamboa. A carteira vem crescendo em bancos e financeiras.
“Nossa expectativa era que aconteceria uma piora na inadimplência, mas as estruturas têm se mostrado muito resilientes, mesmo nesse teste de estresse”
Daniela Gamboa, CIO de crédito privado e imobiliário da SulAmérica Investimentos
A CIO também avalia que o mercado de debêntures ficou mais líquido e passou a precificar o risco meses antes de um evento de crédito, como nos casos da Raízen e do GPA, que entraram em recuperação extrajudicial no primeiro semestre. Com a Selic em 13,75%, ela não vê abertura de spreads entre emissores AAA e espera mais dispersão nos papéis de nota menor. Para os fundos de infraestrutura, que vêm sofrendo resgates sucessivos, prevê mais saídas do que novas ofertas.
Por que importa. Quando uma gestora de R$ 100 bilhões diz que os FIDCs aguentaram o estresse, ela está dizendo que o dinheiro para comprar recebíveis continua lá. É desse funding que vive a fintech de crédito, de antecipação e de cobrança. E o consignado privado, que os grandes gestores ainda olham de longe, é justamente a janela: quem originar bem e mostrar histórico de pagamento nessa carteira vai ser o primeiro a captar quando eles entrarem.
Fonte: Estadão E-Investidor. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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