iFood compra a Caju, avaliada em cerca de R$ 1 bilhão, e chega a 3 milhões de usuários em benefícios
Fundada em 2020, a startup levantou só US$ 50 milhões e atende 70 mil empresas; negócio ainda depende de Cade e Banco Central

Eduardo Del Giglio, cofundador e CEO da Caju (Foto: Reprodução/LinkedIn Caju)
O iFood anunciou nesta terça-feira (20) a compra da Caju, startup de benefícios corporativos. A aquisição é feita pelo iFood Benefícios e ainda depende de aprovação do Cade e do Banco Central. As empresas não divulgaram o valor, mas uma fonte ouvida pelo Brazil Journal disse que a Caju foi avaliada em cerca de R$ 1 bilhão.
Segundo o Brazil Journal, Caju e iFood Benefícios movimentam cerca de R$ 1,3 bilhão por mês cada uma. Com um take rate de 3%, estimativa do jornal, isso daria faturamento anual de cerca de R$ 450 milhões para cada operação. Juntas, passam a ter 3 milhões de usuários e 135 mil empresas clientes. Sozinha, a Caju atende 70 mil empresas e 1,3 milhão de usuários.
Fundada em 2020 por Eduardo Del Giglio e Renan Mendes, a Caju levantou apenas US$ 50 milhões, com fundos como Canary, Valor Capital Group, Caravela Capital e K1 Investment Management. Além de benefícios, a startup oferece gestão de despesas corporativas, reembolsos, adiantamentos e rotinas de RH, e produtos financeiros como crédito consignado e contas para colaboradores.
Arthur Freitas, CEO do iFood Benefícios, disse que a operação já tem resultado operacional positivo em 2025 e neste ano; a Caju deve dar lucro ainda em 2026. A compra faz parte do pacote de R$ 24 bilhões em investimentos anunciado pelo iFood no mês passado. Eduardo Del Giglio continua na companhia combinada, e o plano de integração será divulgado após as aprovações.
“Nós entramos nas empresas por meio da operação de benefícios, mas continuamos nelas por meio de uma plataforma que faz muito mais coisas.”
Eduardo Del Giglio, CEO e cofundador da Caju, ao Brazil Journal
O negócio acontece num mercado historicamente dominado por Alelo, Ticket, VR e Pluxee, desafiado por novos entrantes como Caju, iFood Benefícios e Flash, que usam cartões de bandeira aberta. Um decreto de novembro do ano passado sobre o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) fixou teto de 3,6% para as taxas cobradas dos estabelecimentos e determinou a abertura dos grandes arranjos e a interoperabilidade entre redes. No ano passado, o iFood chegou a negociar a compra da Alelo, num negócio que poderia chegar a R$ 5,5 bilhões. O Lazard assessorou a Caju; Mattos Filho e Pinheiro Neto fizeram a assessoria jurídica de iFood e Caju, respectivamente.
Por que importa. Benefício corporativo é porta de entrada para vender crédito, conta e serviços de RH a milhões de trabalhadores. A Caju virou um negócio de R$ 1 bilhão com só US$ 50 milhões captados, prova de que uma fintech que entra pelo RH e fica pela plataforma constrói valor rápido.
Fonte: Brazil Journal e Exame. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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