iFood Benefícios movimenta R$ 1 bilhão por mês e paga até R$ 10 mil por indicação na briga de R$ 150 bilhões com BTG, C6 e VR
Com o teto de 3,6% nas taxas e a interoperabilidade dos cartões, bancos entram no vale-refeição: o BTG criou o BTG Benefícios, o C6 comprou a Alymente e a VR já comprou quatro startups

Arthur Freitas, CEO do iFood Benefícios. Foto: Divulgação/iFood
O iFood Benefícios movimenta R$ 1 bilhão em transações por mês e oferece recompensa de até R$ 10 mil a quem indicar uma empresa que vire cliente, segundo reportagem da VEJA publicada neste sábado (31). A ofensiva acontece num mercado de vale-alimentação e vale-refeição que movimenta R$ 150 bilhões, pela estimativa do Ministério do Trabalho e Emprego, e que agora atrai também os grandes bancos.
Segundo a revista, o iFood conversou nos últimos dois anos com a Ticket, do grupo francês Edenred, e com a Alelo, controlada por Bradesco e Banco do Brasil, sobre uma compra. Sem acordo, anunciou em outubro a aquisição da Caju, que dobra sua base para cerca de 3 milhões de usuários e traz clientes como Adidas, QuintoAndar e Grupo Boticário. “Nosso crescimento tem se dado de forma orgânica. Contudo, não descartamos a compra de empresas, pois estamos sempre avaliando oportunidades”, disse Arthur Freitas, CEO do iFood Benefícios.
A porta para os bancos foi aberta pelo Decreto nº 12.712, do fim de 2025, que limitou a 3,6% a taxa cobrada de restaurantes e supermercados, proibiu os rebates oferecidos aos departamentos de RH e determinou a interoperabilidade, que permite às maquininhas aceitar VR e VA de qualquer bandeira. Com isso, diminui a necessidade de cada concorrente construir uma rede própria de estabelecimentos.
Era essa a barreira que travava o BTG Pactual. “Estávamos sujeitos a uma espécie de dilema do ovo e da galinha: para conseguir clientes, teríamos de dispor de uma rede e, para montar a rede, precisaríamos de clientes”, disse à VEJA Ivan Carneiro, líder da área de cartões de fidelidade do banco. O BTG anunciou em agosto o BTG Benefícios e mira a própria carteira de pessoas jurídicas, que soma R$ 288 bilhões em crédito, dos quais R$ 32,2 bilhões com pequenas e médias empresas.
“Estávamos sujeitos a uma espécie de dilema do ovo e da galinha: para conseguir clientes, teríamos de dispor de uma rede e, para montar a rede, precisaríamos de clientes.”
Ivan Carneiro, do BTG Pactual, à VEJA
O C6 Bank preferiu comprar. Em setembro, anunciou a aquisição da HRtech Alymente, com 40 funcionários e 1.200 clientes, entre eles Heineken, Nissan, Pernod Ricard, Pfizer, BIC e Total Express. “Em três meses de conversas, concluímos a due diligence, assinamos o acordo e a operação foi aprovada pelo Banco Central”, afirmou Ricardo Botelho, líder de pessoa jurídica do C6 Benefícios.
A VR, da família Szajman, voltou ao segmento depois do fim da cláusula de não concorrência com a Pluxee e comprou quatro startups de gestão de despesas, mobilidade, fidelidade e ponto eletrônico, que juntas movimentaram R$ 15 bilhões em transações no ano passado. “Mais de 1 milhão de trabalhadores já batem o ponto usando o nosso sistema”, disse Willian Tadeu Gil, diretor-executivo de assuntos jurídicos, relações institucionais e governança corporativa da VR.
Para o consultor Igor Torrente, especialista no mercado de benefícios corporativos, o setor deve passar por uma fase de mais competição seguida de nova consolidação. “Players menores ou regionais podem se tornar alvos de fusões e aquisições”, afirmou à revista.
Por que importa. Quando a regra reduz a necessidade de rede própria, o vale-refeição vira só a porta de entrada. Quem ganha é quem vende, junto com o cartão, folha, ponto, consignado e antecipação do FGTS para o RH da empresa. E, com bancos e o iFood às compras, a fintech de benefícios pequena ou regional que tiver clientes fiéis passa a valer como alvo de aquisição.
Fonte: VEJA. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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