Itaú compra a NeoSpace, startup de IA dos fundadores da Zup, por R$ 2,92 bilhões
Criada no fim de 2023 por Bruno Pierobon, Felipe Almeida, Gustavo Debs e Thiago Teixeira, a NeoSpace valia US$ 100 milhões em janeiro de 2025, quando o próprio Itaú liderou sua rodada de US$ 18 milhões

Da esquerda para a direita, os fundadores da NeoSpace Bruno Pierobon (CEO), Felipe Almeida, Thiago Teixeira e Gustavo Debs. Foto: Divulgação/NeoSpace
O Itaú Unibanco comprou 100% da NeoSpace, startup brasileira que desenvolve grandes modelos fundacionais de inteligência artificial generativa e de dados, por R$ 2,92 bilhões. O negócio foi anunciado na manhã desta segunda-feira (26), segundo o NeoFeed.
A NeoSpace foi criada no fim de 2023. Em janeiro de 2025, foi avaliada em US$ 100 milhões numa rodada de US$ 18 milhões liderada pelo próprio Itaú, com participação de Martin Escobari, da General Atlantic, e de Micky Malka, da Ribbit Capital. A startup vai seguir operando como empresa independente, sob o comando do cofundador e CEO Bruno Pierobon, que a fundou com Felipe Almeida, Gustavo Debs e Thiago Teixeira.
Não é a primeira venda do grupo para o banco. Em 2019, o Itaú pagou mais de R$ 500 milhões pela Zup, empresa de software e serviços de tecnologia que Pierobon, Almeida e Debs tinham fundado em 2011.
A aposta da NeoSpace é o que ela chama de Large Data Model (LDM): em vez de trabalhar só com linguagem, como os LLMs da OpenAI e da Anthropic, o modelo lê qualquer formato de dado e documento, para que as empresas identifiquem e antecipem padrões de comportamento dos clientes. Na prática, a NeoSpace cria plataformas para que cada empresa treine os próprios modelos com os próprios dados. Além do setor financeiro, tem clientes em telecomunicações, aviação e energia, e negociava expansão para os Estados Unidos, onde monta um escritório, e para a Europa.
“Nossa parceria com o Itaú nos permitiu avançar nessa ambição, aplicando modelos fundacionais a desafios reais do sistema financeiro e comprovando seu potencial de escala”
Bruno Pierobon, cofundador e CEO da NeoSpace
Segundo o Itaú, a tecnologia já vinha sendo aplicada em projetos conjuntos e deve contribuir para a ia.i, plataforma de IA generativa lançada pelo banco no fim de julho, que o Itaú quer levar a 100% dos clientes pessoa física do superapp até o fim de 2026. “O Brasil já demonstrou sua capacidade de estabelecer referências internacionais em inovação bancária e temos a oportunidade de elevar esse patamar com inteligência artificial de fronteira”, afirmou Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco.
Por que importa. Em menos de três anos, uma startup brasileira que transforma dados de clientes em modelos de IA para o sistema financeiro passou de US$ 100 milhões de avaliação para uma venda de R$ 2,92 bilhões. Os bancos precisam de crédito, atendimento e prevenção a fraude mais inteligentes e preferem comprar a construir, e quem domina dados financeiros com tecnologia própria tem comprador certo na mesa.
Fonte: NeoFeed. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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