Associação Open Finance: 82% das PMEs conhecem o open finance, mas só 46% usam, e 72% ainda fecham o caixa em planilha
Pesquisa com 600 pequenas e médias empresas mostra 2,2 bancos por empresa, conta PF misturada com PJ e 2,5 horas por semana gastas para organizar as finanças

Ana Carla Abrão, CEO da Associação Open Finance. Foto: Divulgação/Open Finance Brasil
Oito em cada dez pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras conhecem o open finance, mas menos da metade usa o sistema. É o que mostra uma pesquisa encomendada pela Associação Open Finance e divulgada nesta segunda-feira (26) pelo Valor Econômico: 82% das PMEs conhecem o compartilhamento de dados e 46% o utilizam.
Outros 2% dizem ter usado e parado. Só 1% não usa e não pensa em usar. Entre as empresas que ainda não são usuárias, 88% mostraram interesse depois de ler a explicação do conceito, segundo a associação. O levantamento foi feito pela plataforma Toluna com 600 PMEs, e os resultados foram ponderados pela distribuição das empresas brasileiras por porte, com base em referências do Sebrae. Responderam donos, sócios, administradores ou responsáveis pelas finanças.
Entre quem já usa, as vantagens mais citadas são a visão consolidada de várias instituições (82%), o aviso de pendências antes do vencimento (81%), a atualização automática de entradas e saídas (80%), o envio à contabilidade com menos retrabalho (78%) e a projeção de caixa (78%).
A pesquisa descreve uma vida financeira fragmentada. Do total, 73% das PMEs usam duas ou mais instituições, com média de 2,2 relacionamentos bancários por empresa, e 46% usam contas de pessoa física e jurídica ao mesmo tempo. Para operar na pessoa física, citam taxas menores (32%), limite de crédito (30%) e comodidade (28%). Nos últimos 12 meses, 27% tentaram contratar crédito pelo CNPJ; desses, 69% foram aprovados e 7% tiveram o pedido negado.
“O compartilhamento de dados financeiros pelo open finance está muito mais presente no dia a dia das empresas do que muitos ainda pensam”
Ana Carla Abrão, CEO da Associação Open Finance, ao Valor Econômico
A organização ainda é manual: 72% baixam extratos e montam planilhas, 53% entram no aplicativo de cada banco para conferir, 38% dependem do escritório de contabilidade para consolidar os dados e só 25% usam um aplicativo ou sistema financeiro para isso. Em média, as empresas gastam 2,5 horas por semana com a organização financeira.
“O compartilhamento de dados financeiros pelo open finance está muito mais presente no dia a dia das empresas do que muitos ainda pensam. É uma oportunidade para as instituições financeiras ofertarem produtos e serviços mais adequados às necessidades específicas de cada empresa cliente”, disse Ana Carla Abrão, CEO da Associação Open Finance, ao Valor. “A pesquisa trouxe um mapa da realidade de quem vive o negócio todos os dias, e é a partir dele que podemos construir uma infraestrutura que atenda o empreendedor onde ele mais precisa”, afirmou Elano Abreu, coordenador de experiência e produtos da associação.
Por que importa. Uma PME com 2,2 bancos que fecha o caixa em planilha é cliente pronto para uma fintech: quem junta os extratos pelo open finance, avisa o vencimento e projeta o caixa pode cobrar assinatura pela gestão e, com os dados na mão, oferecer o crédito no CNPJ que hoje vai para a conta pessoal do dono.
Fonte: Valor Econômico. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
As notícias de fintech que importam, em 3 minutos. Todos os dias, às 7h, de graça.
Leia também
- REGULAÇÃO
Lula reeleito: o que já está decidido e o que ainda depende de Congresso e BC para fintechs, FIDCs e crédito
CSLL maior, regra de BaaS até 31 de dezembro, capital mínimo novo e licença cripto já têm data; Copom volta a se reunir em 3 e 4 de novembro, com diretoria de mandato fixo

- Cripto e pagamentos
BLOXtrade, de Diego Martins, ganha registro antilavagem no Canadá e soma 2 licenças na América do Norte para liquidar pagamentos B2B com cripto
Fintech brasileira registrou a subsidiária de Calgary na FINTRAC e já tinha cadastro na FinCEN, nos Estados Unidos; foco são empresas e tradings que movimentam dinheiro entre países

- BaaS
Jefferson Araújo, fundador do Pluga Bank, cria a Banux sem rodada de investimento e vende BaaS, fundos e crédito a outras empresas
Empreendedor mineiro comprou a Finvest DTVM, montou a holding com dois sócios e diz que cada negócio financiou o seguinte

- FIDCs
Jamir Crevelaro, fundador do FIDC LinkBank, cria confraria que já reúne centenas de gestores, investidores e empresários do crédito estruturado
A Confraria Nacional do Mercado Financeiro FIDCs fez mais um encontro na quinta-feira (22), em São Paulo, para aproximar quem tem capital de quem estrutura ou precisa de crédito

