MED do Pix devolve R$ 766,9 milhões a vítimas de golpe em 2026, só 13,4% do valor das fraudes reconhecidas
Levantamento do Mundo das Fintechs nos dados abertos do Banco Central mostra R$ 5,74 bilhões em fraudes reconhecidas de janeiro a setembro; em quase metade do valor, a conta do golpista já estava vazia

Gilneu Vivan, diretor de Regulação do Banco Central, em entrevista coletiva do BC. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
O Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix, o processo que obriga os bancos a tentar recuperar o dinheiro de quem caiu em golpe, devolveu R$ 766,9 milhões às vítimas de janeiro a setembro de 2026, segundo levantamento do Mundo das Fintechs nas estatísticas de fraudes no Pix publicadas pelo Banco Central. O valor equivale a 13,4% dos R$ 5,74 bilhões em Pix cuja contestação por fraude foi aceita pelos bancos no período.
A taxa de recuperação melhorou em relação a 2025. Nos mesmos nove meses do ano passado, o MED devolveu R$ 511,6 milhões de R$ 5,57 bilhões em fraudes aceitas, ou 9,2%. O valor dos golpes reconhecidos ficou praticamente estável (alta de 3%), enquanto o dinheiro devolvido cresceu 50%.
O número de pedidos explodiu. Os clientes abriram 27,6 milhões de contestações de Pix de janeiro a setembro de 2026, 2,4 vezes os 11,5 milhões do mesmo período de 2025. O salto aparece na série do BC a partir de outubro de 2025, quando as contestações mensais passaram de 1,2 milhão para 3,5 milhões. Mas o número de pedidos aceitos caiu, de 2,95 milhões para 2,53 milhões: em setembro de 2026, só 7,3% das 3,75 milhões de contestações foram aceitas.
O maior obstáculo para devolver o dinheiro continua sendo a conta vazia. De janeiro a setembro de 2026, R$ 2,77 bilhões em Pix fraudados não voltaram porque não havia saldo na conta que recebeu o dinheiro, quase metade (48%) do valor das fraudes aceitas. Só em setembro, outros R$ 30 milhões não voltaram porque a conta já tinha sido encerrada.
“R$ 766,9 milhões devolvidos pelo Mecanismo Especial de Devolução de janeiro a setembro de 2026, de R$ 5,74 bilhões em Pix com fraude reconhecida”
Estatísticas de fraudes no Pix do Banco Central (dados abertos), organizadas pelo Mundo das Fintechs
O bloqueio cautelar, que permite ao banco de quem recebe segurar um Pix suspeito por até 72 horas (Resolução BCB 147/2021) antes de liberá-lo, ganhou peso. Neste ano, R$ 1,31 bilhão em Pix bloqueados preventivamente acabaram devolvidos ao pagador, contra R$ 1,02 bilhão de janeiro a setembro de 2025. Ao mesmo tempo, R$ 39,3 bilhões foram bloqueados e depois liberados, mais que o dobro dos R$ 18,7 bilhões do mesmo período de 2025.
Em setembro de 2026, último mês disponível, o MED devolveu R$ 106,3 milhões, ou 14,5% dos R$ 733,2 milhões em fraudes aceitas no mês. Havia 93,3 mil chaves Pix e 91,4 mil usuários com marcação de fraude na base do BC.
Os números são da base de dados abertos do Pix do Banco Central (serviço Olinda, conjunto Estatísticas de Fraudes no Pix), que traz por mês as contestações, as devoluções integrais e parciais pelo MED, os valores não devolvidos por motivo e os bloqueios cautelares. Os totais de 2025 e 2026 foram somados pelo Mundo das Fintechs.
Por que importa. Quase metade do valor das fraudes reconhecidas no Pix (48%) não volta porque a conta do golpista já está vazia, e o MED recupera só 13,4% do total. Para fintechs de antifraude, análise de risco de conta e monitoramento em tempo real, cada ponto a mais de recuperação é argumento de venda para bancos e instituições de pagamento que respondem pelo MED.
Fonte: Banco Central (dados abertos do Pix). Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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