Ofertas de FIDC na CVM somam R$ 137,4 bilhões até outubro de 2026, alta de 34%, e a corretora da QI Tech coordena uma em cada cinco
Levantamento do Mundo das Fintechs nos dados abertos da CVM mostra o mesmo número de ofertas de 2025, mas com valor médio maior; Itaú BBA lidera em valor, e setembro foi o maior mês do ano

Pedro Mac Dowell, fundador e CEO da QI Tech. Foto: Divulgação/QI Tech
As ofertas de FIDC registradas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) somaram R$ 137,4 bilhões de janeiro a outubro de 2026, alta de 33,6% sobre os R$ 102,8 bilhões do mesmo período de 2025, segundo levantamento do Mundo das Fintechs nos dados abertos de ofertas públicas da autarquia, atualizados em 7 de novembro. O número de ofertas de cotas de fundos de investimento em direitos creditórios ficou praticamente igual, 1.346 contra 1.341, o que mostra que o crescimento veio de operações maiores.
Os valores são os registrados nos pedidos de oferta feitos pelo rito automático da Resolução CVM 160, que dispensa análise prévia da CVM. O valor registrado é o tamanho da oferta, e não necessariamente o que foi vendido aos investidores. Ofertas revogadas ficaram fora da conta.
Setembro, com R$ 24,5 bilhões, foi o maior mês do ano, seguido de outubro, com R$ 20,1 bilhões, e de março, com R$ 18,3 bilhões. Só os dois últimos meses somaram R$ 44,6 bilhões, contra R$ 25,1 bilhões em setembro e outubro de 2025. Vinte e cinco ofertas tiveram R$ 1 bilhão ou mais e, juntas, responderam por R$ 49,2 bilhões, enquanto a oferta mediana foi de R$ 25 milhões.
Em número de ofertas, a líder é a QI Corretora de Títulos e Valores Mobiliários, da QI Tech, antiga Singulare, que coordenou 283 ofertas no período, 21% do total, somando R$ 14,3 bilhões. A corretora usa o mesmo CNPJ da Singulare, que em 2025 também liderava, com 326 ofertas. Depois dela vêm a Hemera DTVM, com 176 ofertas, o Banco Daycoval, com 98, e a Vórtx, com 89.
“R$ 137,4 bilhões em 1.346 ofertas de cotas de FIDC registradas na CVM de janeiro a outubro de 2026, contra R$ 102,8 bilhões em 1.341 ofertas no mesmo período de 2025”
Dados abertos de ofertas públicas da CVM (Resolução 160), organizados pelo Mundo das Fintechs
Em valor, a liderança é do Itaú BBA, que coordenou 42 ofertas com R$ 21,2 bilhões, seguido do Bradesco BBI, com 20 ofertas e R$ 18,3 bilhões, da QI Corretora e do Banco Votorantim, com R$ 10,2 bilhões em 16 ofertas.
Entre os fundos com nome de fintechs e bancos digitais, a maior oferta do ano foi a do FIDC CloudWalk Bela, da dona da InfinitePay, com R$ 5,5 bilhões, registrada em março. O Agibank registrou dois FIDCs, o Agibank II e o Agibank III, que somam R$ 4,6 bilhões. A iCred registrou três ofertas de FIDCs com carteira de consignado do INSS, que somam R$ 2,2 bilhões, e o PicPay, uma oferta de R$ 1,25 bilhão do FIDC PicPay FGTS II. A Creditas teve a oferta do FIDC Creditas Auto XII, de R$ 1,4 bilhão, em abril.
O mercado continua concentrado em investidores profissionais, que eram o público de 92,5% do valor registrado. Os fundos com carteira pulverizada, com muitos devedores, ficaram com 94% do valor. Os FIDCs não padronizados, que compram créditos de maior risco, como precatórios e créditos vencidos, tiveram 186 ofertas e R$ 9,7 bilhões.
Por que importa. O valor das ofertas de FIDC cresceu um terço em um ano sem aumento no número de operações, o que indica que quem já usa o fundo para se financiar está registrando ofertas maiores. Para uma fintech de crédito, o FIDC é o caminho para emprestar com dinheiro de investidores e ganhar na diferença entre a taxa cobrada do cliente e o custo das cotas. E a liderança da QI Tech em número de ofertas mostra que há negócio também do outro lado: coordenar, administrar, custodiar e dar tecnologia para centenas de fundos pequenos (a oferta mediana foi de R$ 25 milhões), enquanto os grandes bancos de investimento concentram poucas ofertas de valor alto.
Fonte: CVM (dados abertos de ofertas públicas, Resolução 160). Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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