Pix por iniciador de pagamento chega a 3 milhões de transações em outubro de 2026, quase cinco vezes mais que um ano antes
Levantamento do Mundo das Fintechs nos dados abertos do Banco Central mostra R$ 1,18 bilhão movimentado no mês pelo Open Finance; 98% das transações são entre pessoas físicas, e o canal ainda é 0,04% de todo o Pix

Marcelo Martins, CEO do Iniciador. Foto: Divulgação
Os Pix feitos por iniciador de pagamento, o serviço do Open Finance que permite a um aplicativo disparar um pagamento a partir da conta do cliente em outro banco, somaram 3,05 milhões de transações em outubro de 2026, quase cinco vezes (4,9x) as 624 mil de outubro de 2025, segundo levantamento do Mundo das Fintechs nas estatísticas de transações Pix publicadas pelo Banco Central. O valor movimentado pelo iniciador de pagamento no mês foi de R$ 1,18 bilhão, 2,8 vezes os R$ 416,4 milhões de um ano antes.
Os números são os da categoria de forma de iniciação “iniciador” (código INIC) na base de dados abertos do Pix do BC, que separa as transações também por chave, QR Code, Pix Automático e digitação manual dos dados.
Há dois anos, em outubro de 2024, eram 238 mil transações por iniciador no mês, ou seja, o volume de outubro de 2026 é 12,8 vezes maior. O salto mais forte veio na virada de outubro para novembro de 2025, quando o número passou de 624 mil para 1,18 milhão. Desde então, o canal cresceu todos os meses, com exceção de setembro de 2026 (2,80 milhões, ante 2,83 milhões em agosto).
Quase tudo é dinheiro entre pessoas físicas: em outubro, 2,99 milhões das transações por iniciador (97,8%) foram de pessoa para pessoa (P2P), com R$ 1,13 bilhão. Pagamentos de pessoas a empresas (P2B) foram só 13 mil, e entre empresas (B2B), 55 mil, com R$ 48,3 milhões. O valor médio de cada Pix por iniciador ficou em R$ 386.
“3,05 milhões de Pix feitos por iniciador de pagamento em outubro de 2026, contra 624 mil em outubro de 2025”
Estatísticas de transações Pix do Banco Central (dados abertos), organizadas pelo Mundo das Fintechs
Apesar do crescimento, o canal ainda é pequeno dentro do Pix: as 3,05 milhões de transações representam cerca de 0,04% dos 7,37 bilhões de Pix feitos em outubro. A maior parte continua sendo feita por QR Code dinâmico (3,16 bilhões) e por chave (2,83 bilhões).
Os iniciadores de pagamento são organizados na INIT, a Associação dos Iniciadores de Transação de Pagamentos, presidida por Jonatas Giovinazzo. A associação vai lançar em 17 de novembro, em Brasília, um manual de boas práticas para a Resolução Conjunta 21, norma que mudou as regras de consentimento e parcerias no Open Finance, num simpósio com o Banco Central e o Ministério da Fazenda. Entre os palestrantes do mercado está Marcelo Martins, CEO do Iniciador, empresa de infraestrutura de iniciação de pagamentos.
Por que importa. O Pix por iniciador ainda é 0,04% do Pix, mas quase quintuplicou em um ano. Quem tem um aplicativo financeiro pode mover o dinheiro do cliente sem que ele saia do app e oferecer isso como parte de uma conta, de um investimento ou de uma cobrança. E há espaço para quem vende a infraestrutura: com 98% das transações ainda entre pessoas, os pagamentos a empresas (só 13 mil em outubro) são o espaço que falta ocupar.
Fonte: Banco Central (dados abertos do Pix, estatísticas de transações por forma de iniciação). Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
Compartilhar no WhatsAppAs notícias de fintech que importam, em 3 minutos. Todos os dias, às 7h, de graça.
Leia também
- Análise
Ofertas de FIDC na CVM somam R$ 137,4 bilhões até outubro de 2026, alta de 34%, e a corretora da QI Tech coordena uma em cada cinco
Levantamento do Mundo das Fintechs nos dados abertos da CVM mostra o mesmo número de ofertas de 2025, mas com valor médio maior; Itaú BBA lidera em valor, e setembro foi o maior mês do ano

- Análise
Criptoativos na Receita Federal: USDT soma R$ 199,5 bilhões no 1º semestre de 2026 e stablecoins ficam com 9 de cada 10 reais das principais criptomoedas
Dados abertos da Receita mostram R$ 283 bilhões em operações declaradas de janeiro a junho de 2026, alta de 21% em um ano; USDC quadruplica e bitcoin cai quase pela metade

- Análise
Mercado Pago ganha 11,3 milhões de clientes em um ano, mais que o Nubank, entre os bancos com mais clientes; Dock quase triplica a base, mostram dados do BC
Planilha do Banco Central com o número de clientes de cada instituição no 3º trimestre mostra Nubank com 119,6 milhões, CloudWalk 60% maior e Itaú com 1,8 milhão a menos que um ano antes

- Stablecoins
BlindPay ganha a primeira licença nos EUA, já pediu 25 e vê transações no Brasil crescerem mais de 35% em três meses
Fintech brasileira de pagamentos internacionais com stablecoins, comandada pelo cofundador e CEO Bernardo Simonassi, obteve autorização para transmitir dinheiro em Nova Jersey e se adequa às regras do Banco Central para prestadoras de ativos virtuais

