Nomad, de R$ 500 milhões em receita anualizada, planeja virar banco e mira 5 milhões de clientes
CEO e cofundador Lucas Vargas diz que a fintech vai reforçar a presença no Brasil com conta pós-paga e produtos de pagamento, e critica o aperto do BC como freio à inovação.

Divulgação/Nomad
A Nomad, fintech de conta global em dólar, pagamentos internacionais e investimentos no exterior, tem como plano estratégico reforçar a presença no Brasil com produtos de pagamento e, no futuro, virar um banco. A afirmação é do CEO e cofundador Lucas Vargas, em entrevista ao C-Level Entrevista, videocast da Folha de S.Paulo, publicada nesta sexta-feira (9).
Segundo Vargas, o caminho passa por uma conta pós-paga no Brasil, associada ao cartão de crédito nacional e a outros produtos de pagamento com remuneração, na categoria que o mercado chama de daily banking. Questionado se o plano é ter um banco, respondeu: “No futuro, sim, mas não no curto prazo”. Ele disse que a licença de banco é uma das formas de viabilizar a estratégia.
A empresa diz estar em linha para chegar a 5 milhões de clientes até o fim de 2026, crescendo cerca de 1 milhão por ano. Pelo raio-X publicado pela Folha, a Nomad tinha 3,8 milhões de clientes no fim de 2025, mais de R$ 8 bilhões em investimentos sob custódia e receita recorrente anualizada de R$ 500 milhões em 2025. Vargas afirmou que neste ano os clientes mais que dobraram os ativos em dólar, que devem chegar em breve a R$ 10 bilhões, e que a empresa gera caixa.
O executivo disse que o aumento do IOF para 3,5% nas operações com cartão no exterior não causou freio relevante na adoção do produto. Contou ainda que, na segunda-feira (5), a Nomad teve o melhor dia de sua história em fluxo.
“No futuro, sim, mas não no curto prazo”
Lucas Vargas, CEO e cofundador da Nomad, sobre ter um banco
Vargas criticou o endurecimento das regras do Banco Central depois da operação Carbono Oculto, como o aumento das exigências de capital mínimo. “Isso é um freio para a inovação. Não nos afeta diretamente, mas [para] a indústria como um todo, como ciclo de inovação, entendo que é um grande freio”, disse. Para ele, o mercado deve ficar mais concentrado com as novas normas.
Sobre o cartão de crédito nacional, o CEO afirmou que todos os clientes do produto usam mais de um serviço da Nomad, incluindo investimentos, e que a empresa observa inadimplência crescente, mas abaixo da de cartões de segmentos semelhantes. A emissão do cartão é feita com parceiros, e não com as licenças próprias da fintech.
Fundada em 2020, a Nomad tem sede em São Paulo e operação nos Estados Unidos. Os cofundadores são Lucas Vargas, Gabriel Pinto, Patrick Sigrist, Eduardo Haber e Marcos Nader. A principal concorrente é a Wise, e a empresa também disputa clientes com a Avenue e com bancos que oferecem contas globais.
Por que importa. Para quem quer ter uma fintech, a Nomad mostra que dá para começar por um nicho com dor clara e crescer a partir dele. Ela entrou pela conta em dólar, chegou a R$ 500 milhões de receita anualizada e agora vende cartão, conta e pagamentos para a mesma base de clientes. Conquistar o cliente num nicho bem escolhido e depois oferecer o banco inteiro é um caminho concreto para multiplicar o faturamento.
Fonte: Folha de S.Paulo (C-Level Entrevista). Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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