Avenue tem dia recorde de abertura de contas em 2026, com captação até 4 vezes a média, e contas globais viram porta de investimento no exterior
Nos dois dias seguintes ao recorde de 26 de outubro, os cadastros na Avenue ficaram 60% acima da média do ano; a Nomad diz ter passado de 500 mil para 3,8 milhões de clientes, e bancos também relatam alta

Bruno Guarnieri, CRO e sócio da Nomad (Divulgação/Nomad)
A Avenue registrou em 26 de outubro o maior número de aberturas de contas de 2026, segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada neste domingo (1º). Nos dois dias seguintes, os novos cadastros ficaram 60% acima da média do ano, e a captação líquida foi de três a quatro vezes a média recente. Em 5 de outubro, as aberturas já tinham crescido 130% sobre a média diária do mês, com captação líquida 8,2 vezes maior que a de um dia normal.
Para Carlos Ambrósio, sócio e diretor de gestão da Avenue, o perfil de quem procura conta internacional ficou mais diverso: vai do investidor conservador, que quer proteção patrimonial, ao arrojado, que busca ativos pouco disponíveis no Brasil. Segundo ele, a mudança de 2026 está na forma de alocar: os aportes passaram a ser recorrentes, e não mais pontuais, movidos pelo câmbio.
A Nomad diz ter passado de cerca de 500 mil clientes no fim de 2022 para 3,8 milhões em 2025, com mais de R$ 8 bilhões sob custódia. Segundo Bruno Guarnieri, CRO e sócio da empresa, a base é formada principalmente por pessoas com renda mensal a partir de R$ 15 mil, e o interesse por aplicações de maior risco vem crescendo.
Os bancos relatam o mesmo movimento. O Inter chegou a 6 milhões de clientes na Global Account no segundo trimestre de 2026, e a base de pessoas físicas cresceu 49% em 12 meses. No C6 Bank, a base de contas globais subiu 44% entre agosto de 2024 e agosto de 2026, e o volume de recursos, 32%. O Bradesco diz que o saldo em suas contas globais aumentou mais de sete vezes em dólares em 12 meses, e o Santander registrou alta de 123% na abertura de contas globais; segundo Maria Fernanda Barreto, head do segmento Select, a procura se concentra em clientes de alta renda.
“A internacionalização reduz a dependência de uma única geografia ou moeda, de um cenário político-fiscal local e da concentração setorial”
Diego Correia, líder de investimentos internacionais da XP
Na XP, a base de clientes com exposição internacional cresceu mais de dez vezes desde 2022, e a custódia, mais de cinco vezes. A corretora passou a recomendar que todos os clientes, inclusive os conservadores, mantenham ao menos 15% do patrimônio financeiro investido diretamente no exterior. Renato Moritz, co-CEO da corretora do BTG Pactual nos Estados Unidos, diz que os clientes vêm ampliando a diversificação geográfica das carteiras.
Dados do Banco Central mostram que 32,4 mil pessoas e empresas declararam ter recursos fora do país em 2025, o maior número desde 2020. A comparação exige cuidado: desde 2020, a declaração só é obrigatória para quem tem mais de US$ 1 milhão no exterior. Os recursos das contas globais ficam depositados fora do Brasil, o que é diferente de conta em dólar dentro do país, que segue restrita a casos previstos pelo BC.
Por que importa. A conta global começou como cartão de viagem e virou porta de entrada para investimento recorrente, e cada aporte passa pelo câmbio, onde a plataforma ganha no spread, além da corretagem e da receita sobre o saldo parado em dólar. É um negócio de receita repetida sobre um cliente de renda alta, e quem oferece a infraestrutura de câmbio e custódia para fintechs menores lançarem a própria conta global também ganha com esse fluxo.
Fonte: Folha de S.Paulo. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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