Rio Bravo, de Paulo Bilyk, traz R$ 1,1 bilhão novo para a administração fiduciária em 2026 e vai entrar em FIDCs e em CRI e CRA em 2027
Gestora espera somar mais R$ 430 milhões até dezembro com os fundos da JPP; a área fiduciária já responde por cerca de R$ 5 bilhões dos R$ 10,4 bilhões administrados

Eveline Carabeli, sócia e diretora de serviços fiduciários, e Paulo Bilyk, cofundador e CEO da Rio Bravo. Foto: Divulgação/Rio Bravo
A gestora Rio Bravo trouxe R$ 1,1 bilhão de patrimônio novo para a sua área de administração fiduciária no acumulado de 2026 e quer levar o serviço a FIDCs e à escrituração de CRI e CRA já em 2027. Os números foram divulgados pelo cofundador e CEO, Paulo Bilyk, e pela sócia e diretora de serviços fiduciários, Eveline Carabeli, em entrevista ao NeoFeed publicada na sexta-feira (23).
Até o fim do ano, outros R$ 430 milhões devem entrar na vertical com a consolidação dos fundos de crédito imobiliário geridos pela JPP, cuja integração foi anunciada em março. Segundo a gestora, isso representa um crescimento de 9% no ano.
A Rio Bravo administra hoje R$ 10,4 bilhões em 21 fundos. Considerando só os fundos em que presta serviços fiduciários, sem contar os produtos em que também é a gestora, a área soma cerca de R$ 5 bilhões. No ranking de administradores da Anbima, a casa está na 46ª posição; a líder é a BB Asset, com R$ 1,9 trilhão. A gestora tem R$ 13,5 bilhões sob gestão e uma meta geral de crescer 30% ao ano em volume.
“Não queremos ser o maior administrador fiduciário. Gostaríamos de ser reconhecidos por sermos resolvedores de situações de mais alta complexidade”, disse Bilyk.
“É uma atividade que está se profissionalizando muito no Brasil e quem entregar esse serviço com qualidade pode crescer muito”
Paulo Bilyk, cofundador e CEO da Rio Bravo, ao NeoFeed
A Rio Bravo administra fundos desde 2002, quando comprou a Mercúrio DTVM, mas por muito tempo o serviço ficou restrito aos fundos da própria casa. A virada veio com a Resolução 175 da CVM, em vigor desde 2023, que separou as funções de administrador fiduciário e de gestor. A gestora transformou a frente fiduciária em unidade de negócio e passou a atender terceiros, como a Capitânia e a Nebraska.
A empresa também aposta na reforma tributária para atrair family offices e fundos exclusivos. A reforma criou um imposto de renda mínimo para quem ganha mais de R$ 600 mil por ano, com adicional de até 10% acima de R$ 1,2 milhão, mas os rendimentos de fundos imobiliários seguem isentos para pessoa física. Para Eveline, a migração passa a valer a pena a partir de um patrimônio de R$ 40 milhões a R$ 50 milhões, e a virada maior deve ocorrer entre 2028 e 2029.
Por que importa. Desde que a Resolução 175 separou gestor e administrador, todo FIDC, FII e CRI precisa de alguém para administrar, escriturar e fiscalizar, e quem faz isso cobra uma taxa sobre o patrimônio todo mês, sem correr o risco do crédito. Com o mercado de FIDCs crescendo e os grandes administradores focados em volume, sobra espaço para fintechs e DTVMs de tecnologia que automatizem esse serviço para as operações mais complexas.
Fonte: NeoFeed. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
As notícias de fintech que importam, em 3 minutos. Todos os dias, às 7h, de graça.
Leia também
- CRÉDITO PRIVADO
João Baptista Peixoto Neto, da Ouro Preto: banco gasta 75% menos capital de Basileia ao comprar cota sênior de FIDC do que ao emprestar direto
Na cota sênior de FIDC, o fator de ponderação de risco cai de 1,0 para 0,25; dos R$ 14 trilhões que os bancos administram, só R$ 6,5 trilhões a R$ 7 trilhões estão em crédito direto

- CRÉDITO PRIVADO
Uqbar: 120 FIDCs com R$ 72,2 bilhões sumiram da base da CVM em setembro, e os 5 maiores são da CBSF Trust, ex-Reag
Fundos constam como “em funcionamento normal” no cadastro, mas não entregaram o informe mensal de setembro; o Anna FIC NP, sozinho, soma R$ 15,7 bilhões

- CRÉDITO PRIVADO
Euro Securitizadora, do Grupo Euro17, tem bens bloqueados pela Justiça por calote em debêntures de 4.200 investidores e passivo de R$ 741 milhões
Juiz da 11ª Vara Cível de São Paulo mandou bloquear as contas da securitizadora da Faria Lima pelo Sisbajud, no modo “teimosinha”, a pedido de uma investidora que aplicou R$ 250 mil; advogado vê caminho aberto para centenas de ações

- CARTÕES
Porto Bank, de 4,3 milhões de clientes, renova por 3 anos com a Mastercard e põe a McLaren nos cartões digitais Gold, Platinum e Black
O novo visual vale nas carteiras digitais e no cartão virtual do App Porto até 31 de dezembro, a duas semanas do GP de São Paulo; o banco do Grupo Porto tem R$ 22,8 bilhões em ativos de crédito

