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CRÉDITO PRIVADO

João Baptista Peixoto Neto, da Ouro Preto: banco gasta 75% menos capital de Basileia ao comprar cota sênior de FIDC do que ao emprestar direto

Na cota sênior de FIDC, o fator de ponderação de risco cai de 1,0 para 0,25; dos R$ 14 trilhões que os bancos administram, só R$ 6,5 trilhões a R$ 7 trilhões estão em crédito direto

Por Redação Mundo das Fintechs · 25/10/2026 · 3 min de leitura
João Baptista Peixoto Neto, da Ouro Preto: banco gasta 75% menos capital de Basileia ao comprar…

João Baptista Peixoto Neto, CEO e sócio-fundador da Ouro Preto Investimentos. Foto: Divulgação/Ouro Preto

Os bancos comerciais brasileiros estão deixando de ser só credores diretos de empresas e famílias para virar investidores de fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs), concentrados nas cotas da classe sênior. A explicação está na regra de capital do Banco Central, segundo análise de João Baptista Peixoto Neto, CEO e sócio-fundador da gestora Ouro Preto Investimentos, publicada pelo Money Times na sexta-feira (24).

Pelas normas de Basileia aplicadas no Brasil, o empréstimo direto a pessoa física ou jurídica tem fator de ponderação de risco 1,0, equivalente ao valor total da operação. Quando o banco aplica em cota sênior de um FIDC, o fator cai para 0,25. Na prática, a necessidade de capital regulatório é 75% menor do que no crédito tradicional, o que preserva os índices de solvência e a capacidade de alavancagem da instituição.

A preferência pela cota sênior vem da estrutura do fundo. Os FIDCs dividem as cotas em sênior, mezanino e subordinada; a subordinada, em geral nas mãos do cedente ou do organizador da operação, absorve primeiro as perdas e a inadimplência da carteira, protegendo o rendimento de quem está na ponta sênior.

Segundo o autor, o sistema bancário administra cerca de R$ 14 trilhões, dos quais R$ 6,5 trilhões a R$ 7 trilhões estão em crédito direto; o restante fica em títulos públicos e operações compromissadas. Com isso, os bancos usam a originação de gestoras especializadas, de empresas e de plataformas de tecnologia financeira e transferem ao fundo e às cotas subordinadas a gestão primária do risco.

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A projeção dele é que, na próxima década, os bancos comerciais se consolidem como os maiores cotistas e financiadores da indústria de FIDCs. Peixoto Neto é formado em Direito pela USP, esteve entre os primeiros colocados do ranking da Uqbar em estruturação de FIDCs de 2006 a 2019, com mais de 300 fundos estruturados, e integra os comitês de FII e de FIDC da Anbima.

Por que importa. Se o banco precisa de 75% menos capital para comprar cota sênior do que para emprestar direto, quem origina crédito e entra com a cota subordinada vira o parceiro preferido de uma montanha de dinheiro parado em título público. É aí que a fintech de crédito ganha: ela fica com o cliente, a tecnologia de análise e o spread da subordinada, e o banco entra com o funding barato na sênior.

Fonte: Money Times. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.

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