Uqbar: 120 FIDCs com R$ 72,2 bilhões sumiram da base da CVM em setembro, e os 5 maiores são da CBSF Trust, ex-Reag
Fundos constam como “em funcionamento normal” no cadastro, mas não entregaram o informe mensal de setembro; o Anna FIC NP, sozinho, soma R$ 15,7 bilhões

Avenida Faria Lima, em São Paulo. Foto: Mike Peel (www.mikepeel.net)/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
Um levantamento da Uqbar, consultoria de finanças estruturadas fundada e comandada por Carlos Augusto Lopes, publicado na quinta-feira (22), identificou 120 fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) que já haviam aparecido na base de informes mensais da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), mas que não constam na competência de setembro de 2026. Todos continuam classificados como “Em Funcionamento Normal” no cadastro da autarquia. Somado, o último patrimônio líquido (PL) conhecido desses fundos chega a R$ 72,2 bilhões.
A maior parte das ausências é recente: 60 fundos tiveram a última observação em julho e 48 em agosto. Juntos, são 90% dos casos e R$ 53,7 bilhões, ou 74,4% do PL do grupo. Só os vistos pela última vez em julho somam R$ 36,4 bilhões, 50,5% do total.
O dinheiro está concentrado em poucos fundos. Os cinco maiores somam R$ 43,6 bilhões de último PL, 60,5% do valor agregado, embora sejam só 4,2% dos CNPJs ausentes. O maior é o Anna FIC NP, com R$ 15,7 bilhões (21,7% do total), cuja última informação é de dezembro de 2025, nove competências antes de setembro. Alepo NP, Esperanza e High Tower tiveram o último registro em julho, e o Rio Vermelho, em agosto.
Segundo a Uqbar, os cinco são administrados pela CBSF Trust, antiga Reag Trust, e realizaram em 15 de setembro assembleias de cotistas para deixar de ser FIDC e virar fundo de investimento em participações (FIP) multiestratégia. A CBSF Trust está em liquidação extrajudicial, decretada pelo Banco Central em 15 de janeiro de 2026.
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A consultoria ressalva que a ausência no estoque de dados não comprova, necessariamente, falta de entrega à CVM, atraso ou infração. O critério considera ausente o CNPJ que apareceu em ao menos uma competência entre outubro de 2025 e agosto de 2026 e não aparece em setembro; o PL usado é o da última observação de cada fundo, por isso os valores se referem a datas diferentes. Os dados foram coletados em 21 de outubro.
Por que importa. Informação confiável sobre FIDC virou produto. Com R$ 72,2 bilhões em fundos sem informe recente, gestor, investidor e banco que compra cota precisam saber onde está o risco, e quem cruza dados da CVM, monitora carteiras e entrega isso pronto (a Uqbar faz disso negócio) cobra caro. Para uma fintech de crédito, a lição é a contrária: FIDC com informe em dia e administrador transparente capta mais barato.
Fonte: Uqbar. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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