Stark Bank vai atender empresas a partir de R$ 1 milhão de faturamento e mira até 50 mil contas em 2027, quase 30 vezes a base atual
Fintech que tem a Bezos Expeditions entre os investidores hoje atende companhias de R$ 100 milhões a R$ 1 bilhão; grupo com a Stark Infra passou de R$ 1 trilhão transacionado em 12 meses

Rafael Stark, fundador e CEO do Stark Bank. Foto: Divulgação/Stark Bank
O Stark Bank, fintech paulistana que tem a Bezos Expeditions, veículo de investimentos pessoais de Jeff Bezos, entre os investidores, vai passar a atender empresas com faturamento anual a partir de R$ 1 milhão, segundo entrevista do fundador e CEO, Rafael Stark, ao Exame Insight publicada nesta sexta-feira (30). Hoje o banco concentra a operação em companhias que faturam entre R$ 100 milhões e R$ 1 bilhão por ano.
“Vamos começar a atacar empresas de até R$ 1 milhão de faturamento. Abre muito o mercado”, disse Stark. O banco tem cerca de 1.700 contas ativas e espera passar de 10 mil até o fim de 2027, podendo chegar a 20 mil ou 50 mil no cenário mais otimista, quase 30 vezes a base atual.
A mudança vem depois de um período de forte crescimento. O grupo Stark, que reúne o Stark Bank e a Stark Infra, plataforma de infraestrutura financeira para bancos e fintechs, passou de R$ 1 trilhão em volume transacionado nos últimos 12 meses. Só no primeiro semestre de 2026 foram R$ 649,8 bilhões, quase três vezes os R$ 220,8 bilhões do mesmo período de 2025. A Stark Infra atende cerca de 40 instituições reguladas, segundo o fundador.
Fundado em 2018, em São Paulo, o Stark Bank oferece pagamentos, recebimentos, transferências e gestão de caixa, além de cartões corporativos, adquirência, antecipação de recebíveis, domicílio bancário e serviços com criptoativos. “Nosso foco sempre foi trazer volume para dentro de casa e fazer coisas tailor-made, o que acaba dificultando a escalabilidade”, afirmou Stark. Para atender as menores, o banco está redesenhando aplicativos e internet banking e montando uma equipe de growth para aquisição de clientes por canais digitais.
“Vai ter muita gente sendo vendida, porque todo mundo achou que fazer uma fintech era só para pagar Pix barato.”
Rafael Stark, fundador e CEO do Stark Bank, à Exame
A empresa fez cinco rodadas desde a fundação, que somaram US$ 61 milhões, e diz não buscar nova captação, porque tem liquidez para os planos. A Fitch atribuiu ao grupo rating A(bra), com perspectiva estável; em abril de 2026, o índice de capital do Stark Bank era de 20,5%, ante mínimo regulatório de 10,5%. O banco aguarda autorização do Banco Central para operar como banco múltiplo.
Stark diz receber propostas de fusão e aquisição toda semana, mas não vê compra de concorrente como prioridade. “Comprar alguma coisa que eu já faço não faz sentido. Teria que complementar a oferta”, disse. Para ele, o aperto do Banco Central em capital e fiscalização deve acelerar a consolidação do setor.
Por que importa. Empresa que fatura de R$ 1 milhão a R$ 100 milhões por ano precisa de pagamentos, cobrança, cartão corporativo e antecipação de recebíveis, mas raramente recebe atendimento de banco de atacado. Quando um grupo que já processa R$ 1 trilhão decide padronizar o produto para descer até esse público, mostra onde está o volume: a fintech que resolver o caixa da pequena e média empresa com produto simples e escala digital ganha receita em tarifa, adquirência e crédito no mesmo cliente.
Fonte: Exame. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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