StreamFin, fintech de IA para assessorias, já orquestra R$ 1 bilhão em carteiras e mira R$ 10 bilhões
Fintech fundada por ex-CEO da RiskControl vende a escritórios independentes a inteligência artificial que os grandes bancos constroem em casa; rodada pré-seed de R$ 2,5 milhões está em preparação

Foto: Divulgação/StreamFin (Marcelo Oliveira, CEO)
A StreamFin, fintech que vende uma plataforma de inteligência artificial para assessorias e consultorias de investimento, defendeu nesta quarta-feira (28) que a IA vai ampliar a capacidade de cada assessor, e não reduzir o número de profissionais. A avaliação é de Marcelo Oliveira, CEO e cofundador da empresa, em entrevista publicada pelo Finsiders Brasil.
A plataforma cruza a estratégia de alocação definida pelo escritório com dados de produtos financeiros, relatórios de analistas, notícias e regras do mercado, e aponta ao assessor quais clientes precisam de atenção: um evento de caixa, um rebalanceamento de carteira, um movimento de mercado. Cada escritório roda numa instância própria, e os dados dos clientes não são usados para treinar modelos públicos, segundo a empresa.
“A IA pode assumir parte das tarefas operacionais, como acompanhar informações em diferentes sistemas e identificar quais clientes precisam de atenção. Na prática, o primeiro ganho é melhorar o acompanhamento da base atual, liberando tempo para o relacionamento”, disse Oliveira ao Finsiders. Para ele, o acesso a dados deixou de ser diferencial: “O que importa cada vez mais é a capacidade de interpretar as informações e agir sobre elas de forma coordenada”.
Os números divulgados pela própria StreamFin em setembro, por meio da ABES, associação das empresas de software da qual é associada, mostram o tamanho da aposta. A startup começou em versão beta com uma assessoria ligada ao BTG Pactual, passou de R$ 1 bilhão em ativos sob custódia orquestrados pela plataforma e projeta chegar a mais de R$ 10 bilhões e 10 mil clientes finais até o fim de 2026. Para isso, prepara uma rodada pré-seed de R$ 2,5 milhões ainda neste ano.
“A IA pode assumir parte das tarefas operacionais, como acompanhar informações em diferentes sistemas e identificar quais clientes precisam de atenção.”
Marcelo Oliveira, CEO e cofundador da StreamFin
A empresa foi fundada por Marcelo Oliveira, que cofundou e comandou a RiskControl, comprada pela Accenture em 2010; Paulo Pellon, com passagens por Kraft Heinz e Ambev; e Helio Lopes, cofundador da Datamint e professor da PUC-Rio. A Datamint é sócia estratégica, e Stelleo Tolda, cofundador e ex-CEO do Mercado Livre, é mentor do negócio. Segundo Oliveira, montar uma estrutura própria de IA é financeiramente inviável para mais de 80% dos escritórios do setor.
O executivo também diz que o Open Finance ajuda a juntar numa só visão o patrimônio que o cliente de alta renda mantém em outras instituições, além de câmbio, seguros, consórcios e investimentos no exterior, que costumam ficar em planilhas e mensagens fora das plataformas das corretoras.
Por que importa. O Brasil tem milhares de escritórios de assessoria que não têm dinheiro para montar a própria IA, e cada um paga de bom grado por ferramenta que faça o assessor atender mais clientes sem contratar. Vender software financeiro por assinatura para esse nicho, cobrando sobre o patrimônio acompanhado, é uma fintech de receita recorrente que cresce junto com o mercado de investimentos.
Fonte: Finsiders Brasil e ABES. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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