Clube FIDC: FIDCs captam R$ 96 bilhões líquidos até setembro, consignado lidera e fundos antigos encolhem R$ 17 bilhões
Levantamento com dados da CVM mostra que, sem duas operações de balanço de grandes bancos, sobraram R$ 32 bilhões no mercado; consignado privado se multiplicou por dez no semestre

Arte: Mundo das Fintechs, com dados do Clube FIDC/CVM
Os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) captaram cerca de R$ 252 bilhões de janeiro a setembro de 2026 e devolveram R$ 156 bilhões em resgates e amortizações, um saldo líquido de R$ 96 bilhões. O cálculo é do Clube FIDC, plataforma de dados do setor, que cruzou o informe mensal da CVM com a carteira dos fundos que compram cotas. O levantamento foi publicado nesta quarta-feira (28) pelo FIDC News, em artigo assinado por Alexi Vasconcellos, CEO do Clube FIDC.
Dois terços desse saldo vêm de duas operações de grandes bancos com veículos próprios, que o estudo trata como operações de balanço: elas captaram sem registrar nenhuma saída. Sem elas, o mercado ficou com cerca de R$ 32 bilhões líquidos em nove meses. No mesmo período, a CVM deu registro a 1.039 novos FIDCs, média de 115 por mês, e as ofertas de cotas registradas somaram cerca de R$ 120 bilhões.
A divisão entre gerações é o dado que mais chama atenção. Excluídas as operações de balanço, os FIDCs registrados em 2026 tiveram captação líquida perto de R$ 48 bilhões. Os fundos que já existiam captaram mais, cerca de R$ 138 bilhões, mas pagaram R$ 155 bilhões em resgates e amortizações e terminaram no negativo, com saída líquida próxima de R$ 17 bilhões. O ritmo perdeu fôlego no terceiro trimestre: o saldo líquido caiu para cerca de um terço do registrado no segundo.
O consignado foi a tese do ano. Somando INSS, servidores públicos, privado CLT e consignado sem recorte, são mais de 110 FIDCs novos, cerca de R$ 27 bilhões em ofertas e mais de R$ 21 bilhões de captação líquida. O consignado privado, puxado pelo programa Crédito do Trabalhador, praticamente não existia na carteira dos fundos em janeiro e se multiplicou cerca de dez vezes no primeiro semestre. Na outra ponta, cartão e meios de pagamento perdeu espaço depois do primeiro trimestre, e duplicatas e recebíveis comerciais, a tese mais comum entre os fundos novos, fecham o ano com saldo negativo.
“Na prática, o mercado está se renovando: estruturas novas, com teses novas, ocupam o espaço de carteiras que amortizam.”
Alexi Vasconcellos, CEO do Clube FIDC
O estudo também mostra quem fica com as cotas. Nas ofertas encerradas em 2026, fundos de investimento levaram cerca de 70% do volume, e perto de 20% ficou com a própria instituição ligada à emissão. Quase metade do que os fundos carregam em cotas de FIDC está em FIDC da mesma casa. O Clube FIDC passa a acompanhar esses números mês a mês em um novo módulo da plataforma, com captação líquida por tese, gestoras emissoras e casas compradoras.
Por que importa. O dinheiro novo de FIDC está indo para fundos novos e teses novas, e não para as carteiras antigas. Para a fintech de crédito, isso abre a porta: quem origina bem um nicho, como o consignado privado, consegue montar o próprio FIDC e captar. E como metade das cotas fica em fundos da mesma casa, há espaço também para quem vende dados, distribuição e acesso a investidores independentes.
Fonte: FIDC News. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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