Vertrau: FIDCs já somam R$ 144 bilhões em recebíveis comerciais, 84% do desconto de duplicatas dos bancos
Levantamento da infratech com dados do Banco Central e da CVM mostra o estoque bancário parado em R$ 172 bilhões há quatro anos e o crédito corporativo nos fundos subindo 418% em um ano

Equipe da Vertrau no evento Do Código à Confiança; Walter Fritzke é o segundo da esquerda (Divulgação/Vertrau, via Let's Money)
Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) já acumulam R$ 144 bilhões em recebíveis comerciais, o equivalente a 84% do estoque de desconto de duplicatas dos bancos, que está parado em R$ 172 bilhões há quatro anos. O levantamento, com dados do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), foi divulgado pela Vertrau, infratech que fornece tecnologia para FIDCs e operações de crédito estruturado, segundo o Let's Money nesta quarta-feira (28).
Nos últimos 12 meses, o saldo bancário de desconto de duplicatas recuou 2,7%, enquanto os FIDCs cresceram 1,8% no segmento comercial. Na carteira classificada como crédito corporativo, o volume nos fundos saltou de R$ 6,5 bilhões para R$ 33,7 bilhões em um ano, alta de 418%.
“Os bancos estão operando com o mesmo volume de capital, mas girando mais rápido. O prazo médio das operações caiu de 2,8 para 2 meses. Isso não atende empresas que precisam de capital de giro com prazo mais longo”, afirmou Walter Fritzke, fundador da Vertrau.
Segundo ele, a mudança não vem do preço: a taxa média do desconto bancário caiu de 20,2% para 18,6% ao ano. O que mudou foi o apetite. A inadimplência das empresas nos bancos subiu de 2,9% para 3,4% e, nas operações de duplicatas, de 0,86% para 1,01%. “Os FIDCs, por sua natureza, distribuem esse risco entre investidores e conseguem precificar de forma granular, cadeia por cadeia, sacado por sacado”, disse Fritzke.
“As empresas continuam vendendo, gerando recebíveis, mas os bancos não estão expandindo o volume de crédito. O mercado de capitais está preenchendo esse espaço”
Walter Fritzke, fundador da Vertrau, ao Let's Money
O levantamento conta 1.122 novos FIDCs criados em 12 meses, média de 94 por mês, num setor cujo patrimônio passou de R$ 1 trilhão em junho de 2026. Registro de recebíveis, duplicata escritural, verificação automatizada de lastro e plataformas de gestão de carteira reduziram o custo de montar e operar um fundo. No mesmo período, as vendas nominais do varejo subiram 5,2%, e o crédito bancário para capital de giro encolheu 2,7%.
Por que importa. Por que importa: os bancos encurtaram o prazo e deixaram de crescer no desconto de duplicatas, e as empresas continuam vendendo e precisando de giro. Essa sobra de demanda é o espaço de quem monta FIDC, verifica lastro ou estrutura a operação: com 94 fundos novos por mês, ganha quem fornece a tecnologia e o crédito que o banco não quer mais carregar.
Fonte: Let's Money. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
Compartilhar no WhatsAppAs notícias de fintech que importam, em 3 minutos. Todos os dias, às 7h, de graça.
Leia também
- Câmbio
Febraban vê custo maior e mercado concentrado com novas regras de câmbio do BC: eFX tem até sábado (31) para se adequar
Quem não tem licença precisa pedir autorização até maio de 2027; para executivos da Febraban e do Banco Rendimento, o compliance pesa num negócio de margem pequena

- Crédito
Midas, securitizadora de 2002, testa Hot Money e limite especial na conta digital para empresas
As duas linhas de crédito de curto prazo poderão ser contratadas pelo aplicativo e pelo internet banking da Midas Digital; a oferta está em fase final de testes antes de chegar à base de clientes

- BaaS
Amazon lança crediário no Brasil em até 12 parcelas, sem cartão e com custo de 12% ao mês
O Amazon Crédito entra no app em etapas e coloca a gigante na disputa com Mercado Livre e Shopee pelo parcelamento sem cartão; quem empresta o dinheiro é uma SCD de infraestrutura

- BaaS
Transfeera vê mercado de BaaS no Brasil saltar 283% até 2030, de US$ 538 milhões para US$ 2,06 bilhões
Para Victor Papi, general manager da instituição de pagamento do grupo PayRetailers, a maior oportunidade está no B2B, em plataformas que pagam milhares de fornecedores e parceiros

