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FIDCs

Vertrau: FIDCs já somam R$ 144 bilhões em recebíveis comerciais, 84% do desconto de duplicatas dos bancos

Levantamento da infratech com dados do Banco Central e da CVM mostra o estoque bancário parado em R$ 172 bilhões há quatro anos e o crédito corporativo nos fundos subindo 418% em um ano

Por Redação Mundo das Fintechs · 28/10/2026 · 3 min de leitura
Vertrau: FIDCs já somam R$ 144 bilhões em recebíveis comerciais, 84% do desconto de duplicatas…

Equipe da Vertrau no evento Do Código à Confiança; Walter Fritzke é o segundo da esquerda (Divulgação/Vertrau, via Let's Money)

Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) já acumulam R$ 144 bilhões em recebíveis comerciais, o equivalente a 84% do estoque de desconto de duplicatas dos bancos, que está parado em R$ 172 bilhões há quatro anos. O levantamento, com dados do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), foi divulgado pela Vertrau, infratech que fornece tecnologia para FIDCs e operações de crédito estruturado, segundo o Let's Money nesta quarta-feira (28).

Nos últimos 12 meses, o saldo bancário de desconto de duplicatas recuou 2,7%, enquanto os FIDCs cresceram 1,8% no segmento comercial. Na carteira classificada como crédito corporativo, o volume nos fundos saltou de R$ 6,5 bilhões para R$ 33,7 bilhões em um ano, alta de 418%.

“Os bancos estão operando com o mesmo volume de capital, mas girando mais rápido. O prazo médio das operações caiu de 2,8 para 2 meses. Isso não atende empresas que precisam de capital de giro com prazo mais longo”, afirmou Walter Fritzke, fundador da Vertrau.

Segundo ele, a mudança não vem do preço: a taxa média do desconto bancário caiu de 20,2% para 18,6% ao ano. O que mudou foi o apetite. A inadimplência das empresas nos bancos subiu de 2,9% para 3,4% e, nas operações de duplicatas, de 0,86% para 1,01%. “Os FIDCs, por sua natureza, distribuem esse risco entre investidores e conseguem precificar de forma granular, cadeia por cadeia, sacado por sacado”, disse Fritzke.

“As empresas continuam vendendo, gerando recebíveis, mas os bancos não estão expandindo o volume de crédito. O mercado de capitais está preenchendo esse espaço”

Walter Fritzke, fundador da Vertrau, ao Let's Money

O levantamento conta 1.122 novos FIDCs criados em 12 meses, média de 94 por mês, num setor cujo patrimônio passou de R$ 1 trilhão em junho de 2026. Registro de recebíveis, duplicata escritural, verificação automatizada de lastro e plataformas de gestão de carteira reduziram o custo de montar e operar um fundo. No mesmo período, as vendas nominais do varejo subiram 5,2%, e o crédito bancário para capital de giro encolheu 2,7%.

Por que importa. Por que importa: os bancos encurtaram o prazo e deixaram de crescer no desconto de duplicatas, e as empresas continuam vendendo e precisando de giro. Essa sobra de demanda é o espaço de quem monta FIDC, verifica lastro ou estrutura a operação: com 94 fundos novos por mês, ganha quem fornece a tecnologia e o crédito que o banco não quer mais carregar.

Fonte: Let's Money. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.

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