Venture capital bate recorde de US$ 698 bilhões no mundo, mas Brasil fecha só 59 rodadas no trimestre; fintechs Addi, Yuno e Flash estão entre as maiores
Relatório da CB Insights mostra que a América Latina teve o menor número de negócios desde 2022; Kaszek foi a investidora mais ativa da região

Juan Pablo Ortega, CEO da Yuno. Divulgação/jpom.me
O capital de risco global somou US$ 698 bilhões investidos em 2026 até o fim do terceiro trimestre, o maior volume já registrado em um ano, segundo o relatório State of Venture da CB Insights, publicado pela Bloomberg Línea neste sábado (17). O dinheiro, porém, ficou concentrado: das 6.913 rodadas fechadas entre julho e setembro, apenas 299, de US$ 100 milhões ou mais, somaram US$ 149,2 bilhões, cerca de 80% dos US$ 187,2 bilhões do período.
A OpenAI liderou o trimestre com US$ 10 bilhões. O número total de negócios no mundo caiu 23% em relação ao trimestre anterior, enquanto o tamanho médio das rodadas em 2026 chegou a US$ 49,8 milhões, mais que o dobro dos US$ 23 milhões de 2025. Os Estados Unidos ficaram com US$ 111,1 bilhões e a Europa com US$ 31,5 bilhões.
A América Latina ficou à margem, com 2% das rodadas globais. As startups da região captaram cerca de US$ 700 milhões em 114 rodadas no trimestre, menos da metade do US$ 1,5 bilhão em 134 negócios do segundo trimestre e bem abaixo do US$ 1,8 bilhão em 219 operações do terceiro trimestre de 2025. É o menor número de transações da série trimestral da CB Insights, iniciada em 2022.
No Brasil, a queda foi maior: cerca de US$ 300 milhões em 59 rodadas, ante US$ 400 milhões em 83 no trimestre anterior e US$ 1,1 bilhão em 143 um ano antes.
“No Brasil, foram cerca de US$ 300 milhões em 59 rodadas no terceiro trimestre, ante US$ 1,1 bilhão em 143 um ano antes.”
Relatório State of Venture, da CB Insights
As fintechs aparecem no topo da lista. Só uma rodada passou de US$ 100 milhões na região, a Série C de US$ 129 milhões da colombiana Erco Energia, de energia solar. Em seguida vieram a Série D de US$ 86 milhões da fintech colombiana Addi, com BTG Pactual, GIC e Monashees, e a Série D de US$ 70 milhões da brasileira A5X, avaliada em US$ 525 milhões, com Goldman Sachs, Kaszek e Morgan Stanley. A Yuno, de pagamentos, levantou US$ 45 milhões em uma Série B com Andreessen Horowitz, Kaszek, Monashees e Tiger Global.
Entre as maiores do Brasil estão ainda a Série A de US$ 43 milhões da Kadig, a Série D de US$ 29 milhões da Flash, com Battery Ventures e Endeavor Catalyst, e a Série C de US$ 20 milhões do Mercado Bitcoin, com Tether e SoftBank.
A Kaszek foi a investidora presente em mais empresas no trimestre, cinco, à frente da Norte Ventures, com quatro. Os estágios iniciais responderam por 71% das rodadas latino-americanas em 2026, contra 81% em 2022. Nas saídas, as fusões e aquisições envolvendo empresas da região somaram 67, contra 90 no segundo trimestre e 95 um ano antes, além de uma oferta pública inicial.
Por que importa. Mesmo com o venture mais seletivo na região, os cheques grandes foram para fintechs de crédito, pagamentos e benefícios, como Addi, Yuno e Flash. O investidor pagou por quem já tem receita recorrente em cima de transação: a fintech que cobra por pagamento processado ou por crédito concedido continua sendo o negócio que atrai dinheiro quando o mercado aperta. Para quem quer ter uma fintech, o recado é claro: montar o negócio em cima de transação, ganhando a cada pagamento ou empréstimo, é o caminho para faturar e atrair capital mesmo com o mercado mais fechado.
Fonte: Bloomberg Línea. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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