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Afinz vende por mais de R$ 100 milhões sua fatia na operação de tags e cartões que movimentou mais de R$ 2 bilhões, e reforça o capital

Antigo Sorocred, o grupo financiou, operou e dividiu o lucro do negócio de um parceiro de mobilidade por quatro anos; agora foca no modelo de crédito embutido

Por Redação Mundo das Fintechs · 06/11/2026 · 3 min de leitura
Afinz vende por mais de R$ 100 milhões sua fatia na operação de tags e cartões que movimentou…

Praça de pedágio na rodovia Fernão Dias. Foto: Ronan W. H. do Lago Müller/Wikimedia Commons (domínio público)

A Afinz, grupo financeiro que nasceu como Sorocred, vendeu a participação que tinha em uma operação de pagamentos com tags desenvolvida com uma empresa de mobilidade. O valor não foi revelado: segundo o Valor Econômico, que noticiou a venda na quinta-feira (5), a Afinz diz apenas que ele está na casa dos nove dígitos, ou seja, acima de R$ 100 milhões.

Em quatro anos, o projeto gerou R$ 100 milhões em receita transacional, movimentou mais de R$ 2 bilhões em volume total de transações (TPV) e chegou a 250 mil clientes ativos, com contas e cartões emitidos, de acordo com a Afinz. O grupo não diz quem é o parceiro. O Valor afirma que informações públicas permitem deduzir que se trata da Sem Parar, que não quis se manifestar.

No modelo, a Afinz dividia os resultados com o parceiro (profit sharing) e cuidava da carteira de cartões de crédito ligados às tags: análise de risco, cobrança e conformidade legal. O parceiro, assim, não precisou montar nem manter estrutura regulatória própria enquanto a operação crescia. “Quando o parceiro entende que o ativo atingiu maturidade suficiente para ser internalizado em sua estrutura, temos a realização máxima do valor acionário que ajudamos a construir”, disse Luiz Lima, CEO da Afinz, ao jornal. A Afinz seguirá prestando serviços ao parceiro durante um período de transição.

O dinheiro da venda será todo reinvestido no banco, que teve prejuízo de R$ 93,37 milhões no primeiro semestre. Os acionistas já haviam feito um aporte de R$ 65 milhões, ainda em aprovação pelo Banco Central. Segundo Lima, boa parte dos recursos vai para readequação e enquadramento de capital, porque as regras exigem mais garantias às bandeiras de cartão. No fim de 2025, a Afinz decidiu deixar os cartões em parceria com varejistas, carteira que hoje está em run-off, e passou a focar em embedded finance: crédito, gestão de portfólio e cobrança dentro do ecossistema de parceiros.

“Entramos com alocação de capital, funding, inteligência analítica e conhecimento regulatório para desenvolver o negócio financeiro a quatro mãos com o parceiro”

Luiz Lima, CEO da Afinz, ao Valor Econômico

Por que importa. A venda mostra um caminho de saída concreto para quem faz finanças embutidas: a instituição financia, opera e cuida do risco do produto financeiro de uma marca com muitos clientes, divide o lucro enquanto o negócio cresce e, quando o parceiro quer trazer a operação para dentro de casa, vende a sua parte. Para fintechs de crédito e de serviços regulados, o ativo valioso é a carteira montada sobre a base de clientes de outra empresa, não só a tecnologia.

Fonte: Valor Econômico. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.

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