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Crédito

PicPay e crédito: CFO André Cazotto quer levar fatia nos clientes de 5% para até 12% e descarta EUA

Banco digital fica com só 5% a 6% do crédito que seus clientes tomam no mercado, tem 45 milhões de contas ativas e custo de cerca de US$ 1 por cliente ao mês; expansão fora do Brasil fica para depois de pelo menos dois a três anos

Por Redação Mundo das Fintechs · 07/11/2026 · 3 min de leitura
PicPay e crédito: CFO André Cazotto quer levar fatia nos clientes de 5% para até 12% e descarta EUA

André Cazotto, CFO do PicPay. Foto: Reprodução/CNN Brasil

O PicPay quer crescer no crédito dentro da própria base. Segundo o diretor financeiro, André Cazotto, o banco digital fica hoje com só 5% a 6% do crédito que seus clientes tomam no mercado (empréstimo pessoal, compre agora e pague depois, cartão e consignado privado) e pode chegar a 10% a 12% em quatro a cinco anos. As declarações foram dadas à publicação americana CFO Brew, em entrevista publicada na quinta-feira (5).

Em 16 de outubro, o próprio Cazotto disse ao programa Números Falam, do NeoFeed com a CNN Brasil, que a carteira de crédito do PicPay chegou a quase R$ 32 bilhões, alta de 99% em 12 meses, puxada pelo consignado privado.

A base é grande: mais de 70 milhões de usuários cadastrados, cerca de 45 milhões de contas ativas e cerca de 52 milhões de cartões de crédito de vários emissores salvos no aplicativo, dados que, segundo o CFO, ajudam a conceder crédito. “Somos maiores que o Apple Pay no Brasil”, afirmou. O banco tinha R$ 52,2 bilhões em ativos totais em 30 de junho.

O custo para servir cada cliente ativo é, em média, de US$ 1 por mês, de acordo com Cazotto. O PicPay tem 4.629 funcionários, nenhuma agência e clientes com idade média de 37 anos, a maioria de renda média-baixa ou baixa. “É esse custo que nos permite operar com essa faixa de renda e competir diretamente com os bancos”, disse.

“Já temos os clientes, o engajamento e os dados transacionais; a oportunidade agora é aprofundar essas relações oferecendo os produtos de crédito certos aos clientes certos”

André Cazotto, CFO do PicPay, à CFO Brew

Controlado pela J&F, o PicPay abriu capital nos Estados Unidos em janeiro. Mesmo assim, o mercado americano não está nos planos: “Os EUA nem fazem parte das nossas discussões”, disse Cazotto, que assumiu o cargo em agosto. A empresa não vê expansão para fora do Brasil por pelo menos dois a três anos; se acontecer, o alvo seria a América Latina, como México, Colômbia ou Argentina.

Por que importa. O PicPay mostra onde está o dinheiro de um banco digital: depois de juntar milhões de clientes com custo baixo, a receita grande vem de vender crédito para quem já usa o app. Para quem monta fintech, a lição é que base engajada mais dado transacional vira concessão de crédito mais barata, e há espaço para nichos que os grandes ainda atendem pouco, como consignado privado e compre agora e pague depois.

Fonte: CFO Brew. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.

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