Grupo Lev emite R$ 65 milhões em notas comerciais com Itaú BBA e Santander e troca o Finimp pelo mercado de capitais
Dona das bicicletas elétricas Lev e das scooters Onn pagou CDI mais 3,9% ao ano por quatro anos, espera cortar R$ 10 milhões por ano em juros e se prepara para receber um sócio

Bruno Affonso, cofundador do Grupo Lev. Foto: Reprodução/Estadão
O Grupo Lev, dono das bicicletas elétricas Lev e das scooters Onn, fez a primeira emissão de sua história no mercado de capitais: R$ 65 milhões em notas comerciais, como mostrou o Pipeline Valor na quarta-feira (4) e a companhia confirmou em comunicado nesta semana. O Itaú BBA foi o coordenador-líder e ficou com R$ 35 milhões dos papéis; o Santander comprou o restante, em formato de club deal.
As notas comerciais pagam CDI mais 3,9% ao ano, com prazo de 48 meses e carência de um ano. Os dois bancos já eram os principais credores da Lev, que até aqui financiava a compra de baterias e peças importadas com o Finimp, uma linha de financiamento à importação com prazo de um ano. Segundo o Pipeline Valor, o instrumento ficou pequeno para uma operação que cresce mais de 50% ao ano.
Com o alongamento das dívidas, a empresa espera economizar R$ 10 milhões por ano em despesas financeiras. Depois da operação, a dívida líquida equivale a 1,2 vez o Ebitda. “É algo bem relevante para nós”, disse a diretora financeira, Aneliza Lima.
O dinheiro vai para a ampliação da fábrica de Manaus, que deve passar de 40 mil para 120 mil bicicletas por ano em 2027, para 10 novas lojas próprias (chegando a 60) e para o início das franquias no ano que vem, além da locação de veículos para entregadores de aplicativo. A Lev projeta faturar R$ 250 milhões em 2026, ante R$ 150 milhões em 2025, com 35 mil unidades vendidas.
“Essa operação chancela a organização da Lev e dá mais tranquilidade para o nosso crescimento”
Rodrigo Affonso, CEO e cofundador do Grupo Lev, ao Pipeline Valor
A emissão também prepara a entrada de um sócio. Auditada pela KPMG desde 2020, a Lev vai contratar um assessor financeiro para trazer um fundo de private equity ou parceiro estratégico até o fim de 2027. “Somos uma empresa pronta para receber um novo sócio”, afirmou Aneliza. A companhia foi fundada em 2010 pelos irmãos Rodrigo e Bruno Affonso.
Por que importa. Empresa média que cresce rápido costuma ficar presa a crédito bancário curto, como o Finimp, e a nota comercial virou uma porta de entrada para o mercado de capitais. Para fintechs, DTVMs e plataformas de crédito, estruturar, distribuir e registrar esse tipo de dívida para companhias de R$ 100 milhões a R$ 500 milhões de faturamento é um nicho com taxa de estruturação.
Fonte: Pipeline Valor. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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