Ale Garcia, co-CEO da Sólides: “O SaaS morreu”, e, para ele, a IA põe o software para disputar o orçamento da operação, não só o de tecnologia
Em artigo no TI Inside, o cofundador da Sólides defende que agentes de IA levam o setor do Software as a Service para o Service as a Software, cobrado pelo trabalho entregue e não por usuário

Ale Garcia, co-CEO e cofundador da Sólides. Foto: Divulgação/TI Inside
Ale Garcia, co-CEO e cofundador da Sólides, publicou no TI Inside, em 21 de outubro, o artigo de opinião “O SaaS morreu. O negócio agora é SaaS”, em que discute o chamado SaaSpocalypse, termo usado para o temor de que a inteligência artificial torne obsoleta parte do software tradicional. Na avaliação dele, o que morreu não é o software nem a cobrança recorrente, mas a lógica de vender acesso à ferramenta e ganhar mais à medida que mais pessoas a usam.
Segundo o artigo, o setor passa do Software as a Service para o Service as a Software: o sistema deixa de ser só a ferramenta usada para fazer um trabalho e passa a entregar parte desse trabalho. Garcia dá o exemplo de um CRM, que hoje aponta oportunidades comerciais, mas deixa para uma pessoa o contato, o acompanhamento e a reunião. Com agentes de IA, diz ele, o próprio sistema pode iniciar o contato, qualificar os interessados e deixar a reunião marcada para o vendedor.
Para ilustrar o tamanho da mudança, o executivo usa um exemplo hipotético: uma operação que custa R$ 1 milhão por mês, somando salários, fornecedores, terceirização e tecnologia, na qual o software representa R$ 10 mil. Durante anos, o fornecedor de tecnologia disputou esses R$ 10 mil; com agentes executando parte da operação, ele passa, potencialmente, a disputar uma parcela do milhão. Se software, agentes e uma equipe menor fizerem o mesmo trabalho por R$ 300 mil, uma tecnologia de R$ 100 mil por mês seria dez vezes mais cara que o SaaS antigo e, ainda assim, poderia representar uma grande economia.
Com isso, segundo Garcia, perde força o modelo de cobrança por usuário (seat-based pricing). Se um agente faz milhares de conciliações financeiras ou resolve demandas de consumidores sozinho, o número de pessoas com acesso ao sistema deixa de ser necessariamente a melhor medida de valor. A empresa pode passar a comprar conciliações realizadas em vez de uma ferramenta de conciliação, ou pagar por atendimento efetivamente resolvido, e o software pode passar a competir por verbas que hoje vão para serviços, terceirização e BPO.
“A IA matou o SaaS como conhecemos, mas o que vem a seguir pode ser muito maior. A próxima revolução do software não será tecnológica. Será econômica.”
Ale Garcia, co-CEO e cofundador da Sólides, em artigo no TI Inside
O executivo reconhece que a IA pode destruir parte do mercado de software como ele é hoje, com aplicações desaparecendo e categorias consolidadas, e que o papel do trabalho humano também muda, com mais peso para definição de objetivos, supervisão, tratamento de exceções e decisão. “Se a tecnologia passar a executar 10%, 20% ou 40% de determinados processos, isso já altera produtividade, estruturas de custos e a própria organização das empresas”, escreve. Para ele, a pergunta mais relevante é quanto do trabalho comprado hoje como serviço poderá ser entregue por software.
Por que importa. Conciliação financeira e atendimento são exatamente o tipo de trabalho que Garcia cita como alvo dos agentes de IA, e boa parte dele ainda é feita por equipes e terceirizadas dentro de bancos, fintechs e empresas. A fintech que vender a conciliação feita ou o atendimento resolvido, e não a licença por usuário, passa a disputar o orçamento da operação, que no exemplo do artigo é 100 vezes maior que o do software.
Fonte: TI Inside (artigo de opinião de Ale Garcia). Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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