Everblue quer viabilizar R$ 10 bilhões em crédito para a indústria e quadruplicar FIDCs exclusivos para R$ 800 milhões até 2027
Empresa de crédito corporativo comandada por Gabriel Padula aposta em fundos ligados à cadeia de fornecedores, nos quais a compradora pode ficar com parte do resultado das antecipações

Gabriel Padula, fundador e CEO da Everblue. Foto: Divulgação/Everblue
A Everblue, empresa de crédito corporativo e estruturação de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), pretende viabilizar R$ 10 bilhões em financiamento para a indústria nos próximos três anos, segundo reportagem da Exame publicada neste sábado (31).
A companhia informa ter R$ 200 milhões em FIDCs exclusivos e quer chegar a R$ 800 milhões até o fim de 2027. Fundada em 2019, a Everblue diz ter feito mais de 10 mil operações de crédito, que somam R$ 4,6 bilhões.
A aposta é uma espécie de fábrica de fundos montados a partir da cadeia de uma indústria ou distribuidora. O fornecedor que vendeu a prazo antecipa o recebimento pelo fundo ligado à compradora: o FIDC compra o recebível com desconto, paga o fornecedor e recebe da compradora no vencimento. A compradora, por sua vez, pode negociar prazos maiores e, conforme sua participação no fundo, ficar com parte do resultado das antecipações, que depende do custo de captação, da operação e da inadimplência.
Numa simulação da própria Everblue, uma indústria que fatura R$ 500 milhões por ano, recebe dos clientes em 75 dias e paga fornecedores em 30 dias precisa financiar cerca de R$ 46,9 milhões. Se alongar o pagamento para 45 dias, a necessidade cai para R$ 31,25 milhões, e a economia estimada é de R$ 4,3 milhões por ano, considerando custo de 2,3% ao mês. A empresa ressalta que o cenário é hipotético.
“A tendência é que cada vez mais companhias entendam que sua operação comercial também pode ser uma plataforma financeira.”
Gabriel Padula, CEO da Everblue, à Exame
O primeiro ciclo da expansão regional começa pelo Sul, com cerca de R$ 270 milhões em crédito, contratação de executivos e reforço da diretoria comercial. Segundo levantamento da própria operação, o volume de crédito pedido por empresas cresceu mais de 40% em 24 meses, e o número de propostas, 30%. “O crescimento sustentável dependerá de lastro verificável, dados operacionais confiáveis, governança na originação e disciplina na gestão de risco”, afirma Padula.
Por que importa. Antecipar pagamento a fornecedor tende a ter risco menor, porque quem paga no fim é a indústria compradora, não o fornecedor pequeno. A Everblue transforma essa cadeia em fundo e pode dividir o resultado com a compradora, conforme a participação dela. Para uma fintech, o recado é que dá para crescer em crédito sem balanço próprio: basta dominar a originação e os dados de uma cadeia e usar o FIDC como veículo.
Fonte: Exame. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
Compartilhar no WhatsAppAs notícias de fintech que importam, em 3 minutos. Todos os dias, às 7h, de graça.
Leia também
- STABLECOINS
NoxPay pede licença de SPSAV e câmbio ao Banco Central e diz movimentar 330 milhões de dólares por mês em USDC na rede Stellar
Infraestrutura de São Paulo que converte reais em stablecoins para bancos, fintechs e outras prestadoras de serviços de ativos virtuais quer oferecer cobertura regulatória a quem não quer montar a própria estrutura

- Crédito
Creditas bate recorde com carteira de R$ 8,5 bilhões e receita de R$ 728 milhões no 3º trimestre, mas prejuízo operacional sobe para R$ 53 milhões
Fintech de Sergio Furio cresceu 26,8% em um ano, com a margem bruta caindo de 37,6% para 34,6%; a empresa diz ter agentes de IA analisando mais da metade das propostas do Auto Finance

- Histórias de fundador
Rodrigo Dantas, fundador da Vindi, trocou a operação de fintech por café e vinho: primeiro lote de 100 garrafas acabou em 8 horas
Ex-executivo do Itaú que comandou a Vindi por dez anos, até a venda para a Locaweb em 2021, hoje é investidor-anjo e conselheiro e diz que CRM e meios de pagamento já têm soluções de sobra

- Crédito privado
B3 amplia calculadora de preços para 730 CRAs e 950 CRIs, que somam 95% dos negócios de CRA e 83% dos de CRI no Trademate
Ferramenta CALC converte a taxa negociada em preço unitário e busca oferecer referência comum no secundário; estoque de CRA e CRI na bolsa era de R$ 449 bilhões em agosto

