Axioma Intelligence usa IA para ler carteiras de recuperação judicial do agro, que bateu recorde de 1.990 pedidos
Empresa de Belo Horizonte atende bancos, cooperativas, FIDCs e securitizadoras; sistema leu 90 mil páginas de um processo de 17 anos em menos de cinco horas

Patrick Lüdtke, CPO da Axioma Intelligence. Foto: Divulgação/Axioma
A Axioma Intelligence, empresa de Belo Horizonte que desenvolve um sistema de inteligência artificial jurídica, quer acelerar o trabalho de quem financiou o agronegócio e agora tem créditos presos em recuperações judiciais. O setor fechou 2025 com 1.990 pedidos de recuperação judicial, recorde da série iniciada em 2021 pelo segundo ano seguido, segundo a Serasa Experian. Foram 1.272 em 2024 e 534 em 2023.
No segundo trimestre de 2026, os pedidos caíram 20,7% sobre o mesmo período do ano anterior, para 448. A própria Serasa pede cautela: segundo Marcelo Pimenta, head de agronegócio da empresa, o ambiente segue desafiador, com custos elevados, crédito mais seletivo e endividamento.
Para o credor, uma recuperação pode virar uma frente de vários anos. Um mesmo devedor pode ter a recuperação, execuções contra avalistas e disputas sobre a fazenda dada em garantia, cada uma num processo diferente, com milhares de páginas espalhadas por tribunais e sistemas.
O sistema da Axioma recebe carteiras com centenas ou milhares de processos e analisa centenas de execuções em poucas horas. Ele lê a íntegra dos autos e das matrículas de imóveis, identifica bens, garantias e riscos e consolida tudo por devedor e grupo econômico. Cada processo ganha uma nota de recuperabilidade em cinco níveis: favorável, favorável condicionado, condicional, remoto e irrecuperável. Cada achado aponta a página dos autos de onde saiu, para revisão humana.
“O credor não precisa de mais um resumo de processo. Precisa saber, processo a processo, quais casos merecem atenção e qual caminho avaliar primeiro”
Patrick Lüdtke, CPO da Axioma Intelligence
A mesma leitura serve a quem compra ou vende carteiras: em certames de cessão de crédito, o sistema avalia e filtra toda a carteira em até dois dias. Em agosto de 2026, segundo a empresa, a ferramenta analisou uma recuperação judicial convertida em falência, com 17 anos de tramitação e mais de 62 mil documentos, cerca de 90 mil páginas, em menos de cinco horas.
“O credor não precisa de mais um resumo de processo. Precisa saber, processo a processo, quais casos merecem atenção e qual caminho avaliar primeiro: aprofundar a pesquisa de bens, negociar acordo, encerrar, monitorar ou ceder”, diz Patrick Lüdtke, CPO da Axioma Intelligence. Segundo ele, a decisão continua com o credor.
A Axioma atende bancos, cooperativas de crédito, gestoras, fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs), securitizadoras e escritórios de advocacia.
Por que importa. Crédito podre também é mercado: quem compra carteiras inadimplentes paga centavos por real e ganha na recuperação, e o gargalo sempre foi saber, rápido, o que ainda tem chance de ser pago. Com recorde de recuperações no agro, a fintech ou o FIDC que precificar essas carteiras melhor que o vendedor sai na frente.
Fonte: FIDC News. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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