Barte: 65% dos times financeiros ainda apontam o fechamento contábil como maior gargalo, mesmo com IA
Estudo da fintech com Comp e Woba ouviu mais de 300 líderes de financeiro, RH e facilities; no financeiro, 89% das áreas estão nos dois primeiros níveis de maturidade em IA e nenhuma chegou aos níveis 4 ou 5

Caetano Lacerda e Raphael Dyxklay, cofundadores da Barte. Foto: Divulgação/Barte
A inteligência artificial já está na rotina das áreas de finanças das empresas brasileiras, mas ainda não entrou nos processos. É o que mostra um levantamento feito pela Barte, fintech de pagamentos e infraestrutura financeira para médias e grandes empresas, em conjunto com a HR tech Comp e a Woba, de gestão de escritórios. O estudo, divulgado pelo Estadão, ouviu mais de 300 executivos e líderes de financeiro, recursos humanos e facilities.
As três pesquisas usaram a mesma escala de cinco níveis de maturidade em IA. No nível 1 estão usos individuais e sem padrão; no nível 5, operações em que a tecnologia aprende com o resultado das próprias decisões. A conclusão comum é que os profissionais adotaram a IA mais rápido do que as empresas conseguiram colocá-la dentro da estrutura.
No financeiro, 89% das áreas ficaram nos dois primeiros níveis e 11% chegaram ao terceiro. Nenhuma alcançou os níveis 4 ou 5. O dado que mais chama atenção é o do fechamento do mês: 48% das empresas fecham as contas em até cinco dias e 93% em até 15 dias, mas 65% ainda apontam o fechamento contábil como o principal entrave da equipe.
O problema não depende do porte. O fechamento foi citado como gargalo por 60% das pequenas empresas, 68% das médias e 69% das grandes. Mesmo entre as que fecham o mês em até cinco dias, o índice é de 64%. Ou seja, fechar rápido não significa ter o processo resolvido.
“As empresas colocaram a IA na mão das pessoas antes de colocar a IA dentro do processo, e é aí que a maturidade emperra em qualquer área que se olhe”
Raphael Dyxklay, cofundador e presidente da Barte
“As empresas colocaram a IA na mão das pessoas antes de colocar a IA dentro do processo, e é aí que a maturidade emperra em qualquer área que se olhe”, afirmou Raphael Dyxklay, cofundador e presidente da Barte.
Nas outras áreas, o quadro se repete. No RH, 64% dos líderes se colocaram no nível 1 ou abaixo, mas, nos testes objetivos, a parcela no estágio mais básico subiu para 92%, e nenhuma operação confirmou os requisitos dos três níveis mais altos. “Sair de algo que teoricamente gera valor e tem um efeito 'wow' em demos para uma solução robusta que impacta o negócio de fato” é a maior dificuldade, segundo Pedro Bobrow, cofundador e CHRO da Comp.
Em facilities, 83% dos profissionais usam IA individualmente, mas 90% não seguem um método compartilhado e 93% não medem os ganhos. “Sem organização das informações, não há IA conectada, e é exatamente aí que mora o maior salto de valor”, disse Pedro Vasconcellos, cofundador da Woba.
O tema já está na agenda: 43% dos entrevistados tratam a IA como prioridade ou já têm projetos-piloto, e 40% pretendem agir no curto prazo.
Por que importa. O fechamento contábil é o gargalo de 65% dos times financeiros, e não adianta dar um chat de IA para cada analista. O dinheiro está em quem coloca a IA dentro do processo: conciliação, lançamentos e fechamento rodando sozinhos, ligados ao meio de pagamento. Para uma fintech que já processa os recebimentos e pagamentos da empresa, como faz a Barte, vender a automação do financeiro é a receita seguinte, cobrada do CFO, que hoje paga em horas de equipe.
Fonte: Estadão. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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